A icterícia nos bebés, Sinais de alarme e tratamento.

A icterícia nos bebés, Sinais de alarme e tratamento.
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Apesar de muitas pessoas não terem conhecimento, é bastante comum os bebés recém-nascidos serem afectados com icterícia que, em pouco tempo, acaba por desaparecer. Descubra as causas e conheça o tratamento.

A icterícia define-se pela coloração amarela da pele e das escleróticas (parte branca do olho) do recém-nascido, e divide-se em fisiológica e patológica. A primeira ocorre 24 horas depois do bebé nascer, enquanto a segunda surge antes desse mesmo período. “É exactamente para a vigilância da altura do aparecimento e da intensidade da icterícia que é considerada boa prática clínica a alta hospitalar a partir das 36 horas de vida”, informa o pediatra Fernando Chaves.

A mais comum é a icterícia fisiológica, causada “pela acumulação de um pigmento – a bilirrubina –, a qual é perceptível quando o nível do mesmo ultrapassa um determinado valor no sangue (5 mg/dl)”, esclarece o especialista.

O problema incide no facto do organismo do recém-nascido produzir quantidades excessivas de bilirrubina e do fígado apresentar dificuldades em metabolizar e eliminar o referido pigmento, em função de alguma imaturidade deste órgão. Em consequência, a bilirrubina em excesso que circula no sangue vai se acumulando na pele e outros órgãos. Associados à imaturidade hepática existem outros factores que podem agravar esta icterícia, como “a deficiente alimentação, a desidratação, o rebentamento do transito intestinal, assim como algumas proteínas existentes no leite materno”, declara Fernando Chaves. Ou seja, “todos estes factores, em conjunto, contribuem para a gravidade da icterícia”, continua.

O que é a icterícia neonatal?

No período de gravidez, a bilirrubina atravessa a placenta e é excretada pela mãe. Após o nascimento o bebé precisa activar os seus próprios sistemas excretores. Quando tal não acontece, aparece a icterícia fisiológica por volta do terceiro ao quinto dias de vida.

A icterícia neonatal é na realidade uma alteração fisiológica que se deve à quantidade elevada de hemoglobina no sangue do bebé recém-nascido. Após o nascimento, este excesso de hemoglobina é degradado pelo corpo em quantidades elevadas de bilirrubina.

Na maioria dos casos esta condição é benigna, contudo níveis elevados de bilirrubina podem torna-se extremamente tóxicos para o sistema nervoso central do recém-nascido ou ser um sinal clínico de doença hepática ou sistémica graves com necessidade de avaliação adicional.

Devemos sempre ter em conta que os efeitos da toxidade da bilirrubina no sistema nervoso central do bebé (Kernicterus) são devastadores e irreversíveis, manifestando se geralmente entre o terceiro e o sexto dia de vida.

Sinais de alarme e tratamento da icterícia nos bebés!

Para além da intensidade da pigmentação cutânea, os sintomas da icterícia traduzem-se também pela recusa alimentar e, posteriormente pelo aparecimento de sinais neurológicas, como a prostração ou a irritabilidade”, afirma o pediatra.

Mediante o surgimento dos sintomas associados à icterícia, os médicos recorrem sempre à fototerapia, um tratamento feito à base de uma luz própria, em que o bebé tem de permanecer deitado, ora de barriga para baixo ora de costas, e sempre com os olhos vendados, para que não sofra lesões na retina. A função desta terapêutica consiste no “desdobramento da bilirrubina noutro que não é neurotóxico – a fotobilina”, explica.

Assim que o resultado dos exames indicarem a diminuição dos níveis de bilirrubina, o tratamento termina.
Há, porém, casos em que são necessários outros tratamentos terapêuticas “mais complexos”, os quais servem de complemento à fototerapia, “sendo o mais extremo a exsanguino-transfusão, ou seja, a troca da totalidade do sangue do recém-nascido por sangue de um dador”. É o que acontece quando a icterícia é de origem patológica.

Aquando da alta do hospital, “os pais de todos os recém-nascidos saudáveis e com risco de desenvolverem icterícia mais acentuada, devem ser instruídos que o seu bebé ficará mais amarelo e que o pico desta icterícia se dará entre o sexto e o nono dia de vida”.

Como saber se o meu bebé está com icterícia?

Se já está em casa com o bebé e está preocupada, faça o seguinte teste: num ambiente bem iluminado (de preferência à luz do dia ou com luz branca), faça uma leve pressão no peito da criança.

Se a pele ficar amarelada quando você parar de fazer pressão, fale com um médico ou leve o bebé à maternidade para um exame mais detalhado (não é preciso se apavorar). Para crianças de pele mais escura, observe se os olhos ou as gengivas estão amarelos.

Face a este cenário, é inevitável que entre em contacto com o pediatra do seu filho, sobretudo “se acharem o bebé muito ictérico, pouco interessado em mamar, mole ou excessivamente irritado”, adverte Fernando Chaves.

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Com a colaboração de Fernando Chaves – Pediatra

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