Gravidez ectópica. Sabe o que é?

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A viagem do óvulo fecundado tem, por vezes, um destino inusitado. Ou seja, ao invés de se implantar no útero, fica pelo caminho ou sai da rota que lhe está designada. É o que acontece numa gravidez que ocorre fora do útero, pelo que importa conhecer os sinais, pois o número de casos está a aumentar no país.



O início de uma nova vida é marcado pela libertação de um óvulo que sai do ovário e inicia uma longa incursão pela trompa de Falópio até ao útero. É na trompa que o óvulo é fecundado mas, algumas vezes o óvulo desloca-se de forma mais lenta do que o normal ou é impedido de chegar ao seu destino, “havendo divisão celular do óvulo fecundado e implantação no local, o que origina uma gravidez ectópica (fora do local apropriado, ou seja, do útero)”, esclarece Rui Ribeiro, Obstetra.
 Importa dar a conhecer que um dos cenários mais comuns é o bloqueio do óvulo fecundado na trompa de Falópio, embora possa também ficar retido no ovário, no corno uterino ou no abdómen.

Porque são frequentes em Portugal, estes casos devem ser prevenidos. Por essa razão, é fundamental que recorra a um obstetra a partir do momento em que tem conhecimento de que está grávida. Só assim é possível efectuar um diagnóstico precoce “fundamental nesta situação”, acrescenta o nosso entrevistado.

Não querendo causar alarmismo, devemos contudo ter em conta que uma gravidez ectópica pode causar diversos danos às estruturas da paciente, podendo chegar a correr risco de vida. No início do século XX, a taxa de mortalidade das pacientes que sofriam desse caso era de 50%. Atualmente, com as novas técnicas de diagnóstico e tratamento, a taxa de mortalidade diminuiu drasticamente para menos de 0,05%.

O diagnóstico de gravidez ectópica normalmente é feito próximo da 8ª semana de gestação. O embrião demora aproximadamente 5 dias, após a fecundação, para se fixar na trompa, já o rompimento da mesma leva mais tempo, podendo acontecer em torno da 6ª ou 7ª semana. Portanto, o diagnóstico precoce é essencial para manter a saúde da paciente.

gravidez ectópica



Causas e consequências da Gravidez ectópica:

A obstrução parcial ou total das trompas são os factores responsáveis pela gravidez ectópica. Conheça as principais causas:

  • Infecções nas trompas
 estão na origem de sequelas de infecções localizadas, geralmente associadas a doenças sexualmente transmissíveis e que põem em causa a permeabilidade da trompa de Falópio.
  • Tumores, quistos, miomas.
  • Dispositivo intra-uterino (DIU)
  • Condições médicas que afetam o formato e a condição das trompas e dos órgãos reprodutivos
  • Tratamentos para infertilidade
  • Cirurgias tubárias
  • Endometriose
  • Malformação das trompas
  • Doença inflamatória pélvica, que pode surgir a partir de infecções por clamídia ou gonorreia;

A solução pode, contudo, ser posta em causa quando o problema não é travado durante o período de tempo adequado, uma vez que, ao fixar-se fora do útero, há a probabilidade de o óvulo fecundado danificar os tecidos do órgão onde fica retido. A verdade é que, se embrião se desenvolve extra-útero, as paredes dos órgãos onde se instala podem romper-se, dando origem a uma hemorragia, o que pode pôr em risco a saúde da Mulher

Sinais de alarme e diagnóstico de Gravidez ectópica!

Durante as primeiras semanas da gravidez é difícil aperceber-se da evolução normal ou não da mesma. Por isso, é importante que esteja atenta a eventuais sintomas que possam indiciar uma gravidez ectópica. Os principais são:

  • Hemorragias;
  • Hemorragia vaginal, que pode ser moderada ou intensa
  • Enjoos, desmaios e pulsação fraca
  • Dor intensa e sensibilidade no baixo ventre (abdominal ou pélvica) que piora com movimento ou esforço, ou tende a agravar-se com a tosse, o andar e o evacuar;
  • Sensação de pressão no recto.
  • Sinais de choque hipovolêmico
  • Dores que se irradiam pela região abdominal e para o ombro.

Face a qualquer um dos sinais acima descritos, contacte o seu médico assistente que, através da ecografia e análises deverá fazer o diagnóstico.

As dores abdominais geralmente são unilaterais, mas também podem ser difusas e com maior intensidade do lado da trompa afetada. Dependendo do grau de evolução da doença, a dor varia entre moderada e intensa. Já o sangramento vaginal costuma ser leve e a coloração pode variar entre vermelho vivo e escuro normalmente é diferente do sangramento menstrual.

Grupos de Risco e factores de risco:

Qualquer mulher sexualmente ativa corre risco de sofrer uma gravidez ectópica, porém existem alguns fatores que podem aumentar a probabilidade desse tipo de gravidez.

Fatores que elevam muito o risco

  • Inflamações ou infecções na trompa;
  • Formato incomum da trompa;
  • Histórico de cirugia pélvica;
  • Falhas na laqueadura;
  • Gravidez ectópica anterior, pois seu nível de reincidência é de 30%;
  • Uso incorreto do DIU;
  • Histórico de abortos, tanto naturais quanto induzidos.

Fatores que elevam moderadamente o risco

  • Pacientes fumantes;
  • Gravidez auxiliada por tratamentos ou medicamentos para infertilidade;
  • Histórico de DSTs;
  • Histórico de múltiplos parceiros sexuais.

Fatores que elevam ligeiramente o risco

  • Histórico de cirurgia abdominal ou pélvica;
  • Costume de realizar ducha vaginal;
  • Gravidez antes dos 20 e depois dos 40 anos.

O Tratamento
 de Gravidez ectópica!

Os tratamentos para esta patologia, podem ser feitos à base de medicação, uma realidade estabelecida nos casos em que a gravidez ectópica é detectada precocemente. O fármaco em causa, cuja administração é feita por meio de uma injecção, tem como missão impedir que as células se multipliquem. Noutras circuntâncias, o tratamento será cirúrgico podendo ser por laparoscopia sob anestesia geral.

Em situações mais graves, pode ser necessária a laparotomia (abertura do abdómen), sendo efectuado um corte longitudinal na trompa para remover o ovo; e poderá mesmo ser necessário fazer a extracção parcial ou total do referido órgão, pois há a probabilidade das paredes do mesmo terem uma rotura.
Posteriormente, é importante que aguarde pela luz verde do seu obstetra para poder voltar a engravidar.

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Com a colaboração de Rui Ribeiro
Obstetra na GO Clinic

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