Testes e exames na gravidez: o 1º trimestre

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É importante que que a grávida faça alguns testes e exames na gravidez.

Agora que está à espera de bebé é altura de saber quais são – e para que servem – todos os testes e exames que o seu obstetra lhe vai pedir durante este primeiro trimestre. Descubra-os aqui.

Parabéns pela gravidez! Agora que já sabe que está grávida, provavelmente porque confirmou a sua suspeita com um teste de farmácia, é altura de marcar uma consulta com o seu ginecologista-obstetra ou escolher rapidamente um que a acompanhe ao longo da gravidez e eventualmente no parto.

Se for acompanhada por um médico que já a conhece ou com quem fez uma consulta pré-natal, ele já está a par do seu historial clínico, caso contrário terá de recolher essa informação junto, pelo que pode esperar muitas perguntas.

Nesta primeira consulta vai receber o seu Boletim de Saúde da Grávida (conteúdos da responsabilidade do Ministério da Saúde) e que a vai acompanhar ao longo da  gravidez e onde serão registados todos os dados e resultados de exames mais importantes. É um caderno que deve ter sempre consigo. Também vai ser pesada e vão medir-lhe a tensão arterial.  Portanto, pode já habituar-se a este dois procedimentos, pois é algo que vai acontecer nas 10 consultas que tem pela frente até ao final da gestação. Muitas vezes, na primeira consulta, o obstetra faz uma ecografia para confirmar a gravidez, a boa implantação no útero e dos movimentos fetais.

Relativamente a exames, quando não há fatores de risco pré-existentes (por exemplo, diabetes, obesidade ou hipertensão arterial) os exames do 1ª trimestre passam, em primeiro lugar, pela realização de análises ao sangue e análises de urina para avaliação do seu estado geral. De acordo com a Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno Fetal, até às 14 semanas de gravidez devem ser efetuadas as seguintes análises:

– Hemograma e determinação de plaquetas;

–  Glicemia em jejum;

–  Grupo de sangue, factor Rh e pesquisa de aglutininas irregulares;

–  Análises imunológicas: toxoplasmose, rubéola, sifilis, VIH 1 e 2 e hepatite B;

–  Exame bacteriológico de urina;

–  Rastreio de hemoglobinopatias.

Há ainda um conjunto de análises ao sangue que a gestante pode e deve fazer e que constituem o rastreio bioquímico. Neste conjunto de testes são medidas substâncias associadas à gravidez que se encontram na circulação materna e que, quando estão alteradas, podem significar um risco maior de cromossopatias (alteração a nível dos cromossomas) ou defeitos no tubo neural (estrutura no embrião que mais tarde dá origem à espinal medula e cérebro). No 1ª trimestre de gravidez este rastreio deve ser feito entre as 11 semanas e 6 dias e as 13 semanas e 6 dias e, mais tarde, a estes valores vão juntar-se os encontrados nas análises bioquímicas do 2ª trimestre e os dados ecográficos. A estes três conjuntos de dados chama-se rastreio integrado. Quando a grávida procura os cuidados de saúde só depois das 14 semanas, a opção é a realização do rastreio bioquímico no 2º trimestre (teste quádruplo).

Primeiro olhar para dentro da barriga: a ecografia do 1º trimestre

A primeira ecografia realiza-se normalmente entre as 11 e as 13 semanas e tem como principais objetivos colher os seguintes dados:

– datar a gravidez, ou seja atribuir a idade gestacional

– verificar se é evolutiva, isto é, confirmar a presença de movimentos cardíacos do feto

– determinar o número de fetos e caso seja mais do que um ver qual é o número de plancentas e sacos gestacionais

– fazer a medição da translucência da nuca e avaliar a presença do osso nasal ( ossos próprios do nariz)

A translucência da nuca e osso nasal
A translucência da nuca (TN) do feto é uma medida feita no osso posterior da nuca e que corresponde à acumulação de líquido nessa zona. É uma forma de fazer uma avaliação do risco de determinadas alterações de cromossomas, uma vez que quanto maior é esta medida, maior é o risco de trissomia 21, trissomia 18 e cardiopatias (alterações na estrutura ou função cardíaca). A Fetal Medicine Foundation sustenta que aproximadamente 75% dos fetos portadores da trissomia 21 têm a medida da TN aumentada De acordo com a mesma fonte, valores acima de 2,5 mm são suspeitos, pelo que são recomendados outros estudos de despiste como a amniocentese. No entanto, convém relembrar que este valor em si não é um diagnóstico, e sim apenas um parâmetro a considerar na avaliação do risco.

Da mesma forma, que a TN, também a presença do osso nasal é usada como despiste de alterações genéticas: entre as 11 e as 13 semanas e 6 dias, o osso nasal não é visível no exame ecográfico em 60% a 70% dos fetos com trissomia 21 e em cerca de 2% dos fetos cromossomicamente normais.

Modere a ansiedade
Há uma pergunta típica à qual a grávida tem de responder vezes sem conta no início da gestação: o incontornável “Prefere menino ou menina?” E não é à toa que a maior parte das vezes a resposta que dá seja: “É igual, desde que venha saudável!” Esta é, de facto, a maior preocupação da mulher ao longo de toda a gravidez pelo que é natural que os exames constantes e a espera pelos resultados provoquem alguma ansiedade.

É típico: a grávida inicia o escrutínio aos resultados de exames e ecografias três segundos depois de lhos depositarem nas mãos – mesmo não percebendo a maior parte das vezes quase nada do que está a ler. Depois, se encontra uma palavra que não percebe mas que não lhe soa bem ou um valor alterado, isso é imediatamente motivo de ansiedade extra e a verdade é que quase sempre este stress é sem razão.

Bem sabemos que este é um impulso difícil de controlar, mas nem sempre é uma boa opção, mais vale que deixe essa análise para quem a sabe fazer: o seu obstetra.

Texto de Aurora Subtil, Médica Obstetra.

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