Pesadelos ou terrores noturnos?

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Na infância é natural que haja alguns problemas de sono. Um dos menos frequentes, mas que mais preocupa os pais, são os episódios de terrores noturnos. Saiba aqui o que são e como reagir.

Um choro inconsolável e um grito de pânico durante a noite são o suficiente para fazer qualquer mãe ou pai saltar da cama em sobressalto. Muitas vezes é “só” um pesadelo, mas embora seja uma situação menos frequente, pode também ser um terror noturno. Mas como distinguir um do outro?Segundo a Coordenação Nacional para a Saúde Mental durante o terror noturno a criança está por norma num estado de pânico e perturbação muito acentuadas, confusa, chora descontroladamente não reagindo às tentativas de consolo feitas pelos pais e nem sequer os reconhecendo.

A verdade é que embora pareça acordada, está a dormir! “Os terrores noturnos e os pesadelos são muitas vezes encarados como sendo a mesma coisa, mas na verdade são duas entidades bem distintas”, explica o pediatra Hugo Rodrigues: “os terrores noturnos surgem mais nas primeiras horas de sono, porque acontecem nos períodos de sono profundo, os pesadelos surgem na fase de sono REM (“rapid eye movements“) e geralmente são mais evidentes na segunda metade do sono, mais próximo da hora de acordar”.

De acordo com o pediatra, a criança além de estar inconsolável não se lembra do que se passou e volta a adormecer de forma abrupta, já nos pesadelos geralmente a criança lembra-se do que estava a sonhar e muitas vezes, quando tem idade para isso, ao acordar explica aos pais o que a assustou.

É natural que os pais fiquem ansiosos com estes episódios sobretudo porque sentem que é uma situação que está fora do seu controlo uma vez que a criança não se acalma nem reage ao consolo, mas é importante que tenham presente que é um episódio benigno que não deve representar motivo de preocupação quando é ocasional e que é uma situação que tende a desaparecer com o crescimento.

O que podem então os pais fazer perante a criança com terrores noturnos?

Hugo Rodrigues esclarece que “perante uma situação de terror noturno, a única coisa que os pais devem fazer é comprovar a segurança da criança, pois ela pode ficar agitada, levantar-se e eventualmente cair da cama. Não vale a pena tentar acordar a criança, pois ela está numa fase de sono profundo e não irá ouvir, podendo até ficar mais agitada”. Ainda de acordo com o pediatra, não existe grande forma de prevenção, embora uma boa rotina de sono possa ajudar e a fadiga extrema- que interfere com o sono profundo – deva ser evitada, uma vez que pode aumentar o risco de surgirem estes episódios.

Segundo o pediatra as estimativas apontam para que os terrores noturnos atinjam 1 a 6 por cento da população, sendo mais frequentes entre os 4 e os 12 anos de idade, embora possam surgir desde os 18 meses.

Já sabendo o que são e como distingui-los dos pesadelos, como reagir caso aconteçam e o (pouco) que pode fazer para tentar preveni-los, sobra uma grande e legítima pergunta: afinal por que acontecem? Mas na verdade, essa pergunta terá de ficar sem resposta porque, como explica Hugo Rodrigues, “não se sabe muito bem porque é que acontecem os terrores noturnos, nem porque é que algumas crianças têm mais do que outras. Aquilo que se sabe é que as situações de stress aumentam a probabilidade da sua ocorrência, que resulta de um acordar incompleto numa fase de sono profundo.”

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