A criança com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção

Quando o seu filho é hiper activo e tem dificuldade em concentrar-se.

A criança com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção
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Atualmente, a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é muito falada, sendo muitas vezes apelidada de uma condição que “está na moda”. Mas o que para muitos é uma moda, é uma perturbação que afeta e altera a dinâmica de muitas famílias e contextos educativos. Assim, torna-se premente clarificar o que é, quais os sintomas e os principais critérios de diagnóstico.

Como o próprio nome indica estamos perante uma perturbação com características de hiperatividade e/ou défice de atenção, ou seja, algumas crianças apresentam sintomas de hiperatividade e de défice de atenção, outras somente sintomas de hiperatividade e outras apenas de défice de atenção. Daí as crianças e jovens diagnosticados apresentarem comportamentos tão diferentes. No dia-a-dia alguns são apelidados de distraídos, sempre com a “cabeça na lua” e outros de estarem “ligados à corrente”.

Em primeiro lugar é crucial compreendermos que estamos a falar de uma perturbação resultante de uma alteração neurobiológica com uma origem multifatorial. Mais precisamente uma alteração no funcionamento neurológico do lóbulo frontal, na área pré-frontal. Tendo em conta que esta zona do cérebro é responsável pelas funções cognitivas superiores, nomeadamente as funções executivas, significa que existem alterações ao nível flexibilidade cognitiva, capacidade de planeamento, memória de trabalho, controlo e manutenção da atenção nas tarefas, controlo dos impulsos e do comportamento social, entre outras. É de salientar que é uma alteração neurológica e não uma lesão.

Este entendimento deve ser a base para todos os que convivem ou intervém com crianças e/ou jovens com esta perturbação, pois têm de ter sempre presente que estes agem sem controlo, não conseguem controlar as suas ações, como muitos referem “não consigo parar” ou “quando percebi já tinha feito, não pensei”, é uma questão neurológica e não de desafio ou pura desobediência. Daí necessitar de intervenção a vários níveis. Estas crianças ou jovens têm tendência para não evidenciarem tanto os sintomas em contextos mais lúdicos, porém em comparação aos seus pares geralmente são percetíveis as alterações comportamentais.

Não existe uma definição universal desta perturbação, existem sim pontos-chave que são comuns às definições de diversos investigadores na área. Barkley em 1990 definia-a como “um distúrbio de desenvolvimento caracterizado por graus desenvolvimentalmente inapropriados de desatenção, sobreatividade e impulsividade, as quais têm frequentemente o seu início na primeira infância, têm uma natureza relativamente crónica, não simplesmente explicáveis por deficiências neurológicas, sensoriais, de linguagem, motoras, deficiência mental ou distúrbios emocionais severos. Estas dificuldades aparecem tipicamente associadas a défices no comportamento orientado por regras e na manutenção de um padrão consistente de realização ao longo do tempo.”

Sintomas e diagnóstico

Em traços gerais as crianças ou jovens com esta perturbação podem revelar falta de organização, défice de atenção, agitação motora, impulsividade, imaturidade, dificuldade em seguir regras e instruções, dificuldade no relacionamento social, irresponsabilidade, desistem com facilidade, grande variabilidade nas respostas às situações, problemas de aprendizagem, desresponsabilizam-se com facilidade culpando os outros pelo seu comportamento desadequado e dificuldade em compreender e prever as consequências do seu comportamento.

Para chegarmos realmente a um diagnóstico temos de obedecer aos critérios de diagnóstico estabelecidos a nível mundial, segundo o DSM-IV-TR (2002), a criança ou jovem tem de apresentar 6 (ou mais) sintomas de uma listagem de sintomas de falta de atenção ou de sintomas de hiperatividade-impulsividade ou 6 ou mais sintomas de ambas as listagens, persistentemente pelo menos durante 6 meses com uma intensidade desadequada e inconsistente em relação ao nível de desenvolvimento.

Critérios de diagnóstico de PHDA

Falta de atenção:

(a) com frequência não presta atenção suficiente aos pormenores ou comete erros por descuido nas tarefas escolares, no trabalho ou noutras atividades;

(b) com frequência tem dificuldade em manter a atenção em tarefas ou atividades;

(c) com frequência parece não ouvir quando se lhe fala diretamente;

(d) com frequência não segue as instruções e não termina os trabalhos escolares, encargos ou deveres no local de trabalho (sem ser por comportamentos de oposição ou por incompreensão das instruções);

(e) com frequência tem dificuldades em organizar tarefas e atividades;

(f) com frequência evita, sente repugnância ou está relutante em envolver-se em tarefas que requeiram um esforço mental mantido (tais como os trabalhos escolares ou de índole administrativa);

(g) com frequência perde objetos necessários a tarefas ou actividades;

(h) com frequência distrai-se facilmente com estímulos irrelevantes;

(i) esquece-se com frequência das atividades quotidianas.

Hiperatividade:

(a) com frequência movimenta excessivamente as mão e os pés, move-se quando está sentado;

(b) com frequência levanta-se na sala de aula ou noutras situações em que se espera que esteja sentado;

(c) com frequência corre ou salta excessivamente em situações em que é inadequado fazê-lo;

(d) com frequência tem dificuldades em jogar ou dedicar-se tranquilamente a atividades de ócio;

(e) com frequência “anda” ou só atua como se estivesse “ligado a um motor”;

(f) com frequência fala em excesso.

Impulsividade:

(g) com frequência precipita as respostas antes que as perguntas tenham acabado;

(h) com frequência tem dificuldade em esperar pela sua vez;

(i) com frequência interrompe ou interfere nas atividades dos outros.

 

Os restantes critérios de diagnostico referem que: alguns sintomas de hiperatividade-impulsividade ou falta de atenção que causam défices surgem antes dos 7 anos de idade; alguns défices provocados pelos sintomas estão presentes em dois ou mais contextos e por último os sintomas não ocorrem exclusivamente durante uma Perturbação Global do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outra Perturbação Psicótica e não são melhor explicados por outra perturbação mental.

O conhecimento dos critérios de diagnóstico deve servir apenas como um possível alerta para as famílias e outros intervenientes, nunca esquecendo que o facto de os conhecer não nos habilita a efetuar um diagnóstico. Ao estarmos perante uma situação de alerta devemos recorrer a um especialista, nomeadamente Psicólogos, Neuropediatras ou Pedopsiquiatras para os mesmos procederem a uma avaliação competente.

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