A importância da atividade física e desporto na infância.

Atividade física e desporto na infância: ponha as crianças a mexerem-se!

A importância da atividade física e desporto na infância.
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Tanto as atividades de rotina no dia-a-dia como a prática desportiva são essenciais a uma infância equilibrada e saudável.

Descubra aqui os benefícios que têm para as crianças, mas também os cuidados necessários durante a prática desportiva e algumas dicas para escolher uma modalidade adequada à sua criança.

Longe vai o tempo em que as crianças passavam horas a brincar na rua, iam a pé para a escola e ajudavam desde cedo nos trabalhos da casa, em suma: mexiam-se muito. Embora não fosse tão usual praticarem desporto fora do contexto escolar, a vida do dia-a-dia proporcionava-lhes um nível de atividade física mais elevado e mais compatível com aquele que devemos ter, ao contrário de hoje.

E isto serve de base para uma distinção importante: atividade física e desporto não são a mesma coisa. A atividade física implica “apenas” todo e qualquer movimento que façamos, o que se distingue do desporto que, como esclarece a pediatra Carla Rêgo, – perita em Nutrição e Medicina Desportiva – “implica um conjunto de movimentos estruturados e repetidos visando a melhoria da aptidão física e da prestação desportiva”.

Aliás, a pediatra recorda mesmo que a atividade física é um indicador de saúde e de bem-estar e começa no útero materno com os movimentos fetais pelo que a sua ausência, em qualquer fase da vida, é indesejável e indicadora de compromisso neuro-motor e/ou cognitivo.

“Assim, a atividade física deve fazer parte integrante de um estilo de vida saudável, pelo que deve ser incentivada e promovida desde sempre. Quanto ao desporto, ele pode ser promovido desde que a criança consiga entender as regras bem como os objetivos que lhe estão subjacentes”, explica Carla Rêgo. A atividade física deve ser estimulada através de jogos e brincadeiras e fomentada nas rotinas do dia-a-dia em paralelo com uma redução dos tempos em frente a ecrãs (televisão, computador, consolas, telemóveis), mas o desporto, enquanto atividade organizada também está indicado desde cedo.

“A prática de desporto está associada a um aumento do bem-estar físico, psíquico, social e neuro-cognitivo. A necessidade de respeitar regras e de partilhar responsabilidades, bem como a disciplina individual e colectiva que a prática de uma modalidade desportiva incutem, são promotoras de autoconfiança”, explica Carla Rêgo. A pediatra refere ainda que a atividade desportiva deve ter características predominantemente lúdicas e estar associada ao prazer, pois só assim será garantida a adesão da criança.

Como escolher um desporto adequado?

Carla Rêgo refere que qualquer desporto poderá ser praticado desde que a criança goste mas, ainda assim, há regras básicas que suportam algumas opções mais adequadas dependendo da fase do desenvolvimento e das características neuro-cognitivas da criança ou adolescente.

Sabe-se por exemplo que do ponto de vista neuro-motor, a coordenação motora deverá ser desenvolvida até aos oito ou 10 anos, a velocidade e flexibilidade são características das crianças pequenas, a força poderá ser treinada mas sem recorrer à força estática ou a cargas elevadas quanto não é atingida a maturidade biológica e que a resistência só deverá ser treinada na fase final da adolescência.

Já do ponto de vista comportamental, a pediatra esclarece que a criança pequena não entende nem aceita regras de grupos e pretende apenas brincar, enquanto na pré-adolescência e adolescência, pelo contrário, o grupo é determinante para manter a adesão à modalidade e também para prevenir comportamentos de risco.

Este conhecimento do desenvolvimento neuro-motor e comportamental permite concluir acerca de adequação do desporto à idade. “As modalidades deverão ser individuais até aos oito ou 10 anos e trabalhando sobretudo a coordenação motora (karaté, ginástica, ballet) e a componente aeróbia (natação). Em contrapartida, deverão ser de grupo e trabalhando aerobiose, velocidade e força dinâmica a partir da pré-adolescência ou adolescência (basquetebol, futebol, andebol) ”, exemplifica Carla Rêgo.

Além das recomendações, é, claro, muito importante que a opção escolhida vá ao encontro da vontade da criança e que tenha sempre uma vertente predominantemente lúdica e de prazer.

E o desporto de competição? É indicado para uma criança? Não havendo uma idade fixa porque cada criança é um caso, à partida só depois dos 10 anos. Isto porque entendendo o desporto de competição como a participação em provas cujo objectivo “é ser o melhor” e “ganhar”, a criança deve ter já uma estrutura mental que lhe permita entender este objetivo e, além disso, tal implica programas de treino tanto físico como psicológico mais rígidos, pelo que a criança deve estar apta e motivada para tal.

Cuidado com as lesões!

Nos Estados Unidos, o número de crianças assistidas em serviços de urgência por lesões relacionadas com o desporto chegam a atingir os três milhões anualmente, sendo as mais comuns as contusões, fraturas e lesões da cartilagem. Embora por cá o fenómeno não tenha igual dimensão, é necessário estar vigilante e ter algumas precauções, até porque além do mau estar que provocam, algumas lesões, se não forem detetadas a tempo, podem afetar o crescimento dos ossos e ligamentos, com consequências graves mais tarde.

Prevenir é o melhor remédio, pelo que se aconselha aos pais (e professores) que garantam que a criança usa equipamento adequado e que faz os indispensáveis exercícios de aquecimento e alongamento para diminuir as possibilidades de lesão. Outra coisa que não é boa ideia é ter as crianças em dois desportos que “puxem” pelos mesmos grupos musculares. Por exemplo, o andebol e o basquete trabalham ambos os pulsos e braços, praticar as duas modalidades pode provocar uma lesão por sobrecarga.

À criança ou adolescente também deve ser recomendado que não ignore a dor. Muitas vezes, com medo de ter de ficar no banco no próximo jogo, sobretudo as crianças mais velhas, que praticam desportos de grupo e que têm já um espírito mais competitivo, têm tendência a não comunicar a existência de dor aos pais e treinadores, na esperança que passe por si. Isto é um perigo porque se pode estar perante uma lesão que exige uma pausa e mesmo tratamento, assim, pais e professores devem estar atentos.

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