Alexitimia: quando as emoções ficam mudas

Alexitimia: quando as emoções ficam mudas
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Se, por um lado, a expressão das emoções tende a ter um carácter universal, há situações de excepção como a alexitimia.

Qualquer pessoa, independentemente da sua cultura, costuma ser capaz de interpretar uma expressão de felicidade, tristeza, rancor ou desdém. E tendemos a assumir que toda a gente compreende e fala a linguagem das emoções.

Porque, na generalidade, é isso que acontece. No entanto, como em qualquer forma de comunicação, podem existir falhas. Por vezes expressamos uma emoção e o nosso interlocutor não reage – ou reage de uma forma pouco convencional.

Normalmente é, ou porque está distraído, ou porque está zangado connosco (ou por uma outra qualquer razão de carácter intencional). Mas nem sempre. Há casos, mais raros, em que a pessoa com quem estamos a comunicar não consegue ler as nossas expressões com a mesma facilidade que a maioria das pessoas. Ou que não consegue expressar as suas próprias emoções normalmente. Ou ambas.

É o que sucede a quem sofre de alexitimia. Trata-se de uma condição pouco conhecida, em que a pessoa demonstra um défice ou incapacidade para: experienciar ou descrever as suas emoções; reconhecer as emoções nos outros; fantasiar; pensar nas suas próprias emoções; identificar emoções.

O estudo de pessoas alexitímicas permitiu definir alguns outros traços característicos, como uma capacidade empática reduzida, ou a dificuldade em distinguir emoções de sentimentos.

A alexitimia foi identificada e caracterizada pela primeira vez por Sifneos, em 1973. Por ter passado ainda pouco tempo e por surgir muitas vezes associada a outras condições, ainda não foi possível definir exactamente quais as suas causas, nem estabelecer – ou rejeitar a possibilidade de – uma possível cura. Para tornar a questão ainda mais complexa, fala-se, não de um, mas de dois ou mais tipos de alexitimia, em que variam as causas, os sintomas e a possibilidade de recuperação.

O que parece haver em comum é uma variação na organização cerebral, que pode ter origem genética, num traumatismo cranioencefálico ou num evento de stress traumático, entre outras possíveis causas. Esta alteração de determinadas estruturas cerebrais – elas próprias ainda por identificar com claridade – induz na pessoa essa incapacidade para identificar, descrever e expressar emoções como seria normal.

Muitas vezes assumimos que os outros falam a nossa língua  sem que isso seja necessariamente verdade. Por vezes, aquilo que parece indiferença pode ser reflexo de uma incapacidade e não ser de alguma forma intencional.

É importante explorar esta hipótese enquanto educador, como também é importante educar os mais jovens sobre estas diferenças e como lidar com elas. Optámos por focar a alexitimia também porque – embora haja outras condições que afectem a comunicação de emoções, como os transtornos do espectro do autismo – esta é menos conhecida. Tanto que, por vezes, as próprias pessoas que dela sofrem não sabem o que têm nem conseguem explicar aos outros porque não têm palavras para dizer o que estão a sentir.

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