Falsa febre, o que é e qual a causa?

Sabe o que é a Febre falsa e qual a sua origem?

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A febre falsa!

A temperatura normal do corpo humano pode variar entre 36 e 37°C. Ela tende a aumentar facilmente no recém-nascido e ser interpretada como estado febril (ocasionado pela instabilidade do controle vasomotor), diminuindo com a idade. No adulto a temperatura costuma variar entre 35,9°C pela manhã e 36,4 à noite. É comum ocorrerem febres falsas nas mulheres, com temperaturas cotidianas de 37,5 a 38°C sem qualquer anomalia clínica particular.
Outras temperaturas consideradas como elevadas são produzidas por fenómenos normais: refeições ricas em proteínas, ovulação, esforço físico intenso, etc. Deve-se desconfiar das temperaturas bucais, falsas no fumador e no mastigador de chicletes. Também existem febres medicamentosas.

Um grande número de agentes terapêuticos pode provocar hipertermia,- como os barbitúricos, o iodo, a atropina ou mesmo, curiosamente, os remédios empregados contra a febre – certos antibióticos (sulfamida, penicilina), derivados de quinino, anti-tuberculóticos, sem contar as frequentes superdosagens de aspirina e derivados salicílicos, responsáveis por temperaturas muito elevadas, superiores a 40,5°C.

Quando o organismo adoece a febre corresponde a uma anomalia de termorregulagem, pelo descalibra-mento do hipotálamo que é o nosso “termostato” orgânico. Ele acumula a função de estimular a biossíntese das prostaglandinas hipotalâmicas específicas, sob a ação de um pirógeno (produtor de calor) de origem leucocitária. E um fenômeno limitado pela secreção de um antipirético natural, para evitar incômodos ao cérebro por hipertermia (perturbações do estado de vigília, delírios, convulsões, estado de coma e morte, que pode acontecer acima de 43°C por parada cardíaca).

A boa febre.

A febre, como fenómeno acompanhante de uma moléstia, é benéfica ou não ao nosso organismo? Observações efetuadas em animais que não podem regular sua própria temperatura (iguanas), mostraram que, quando eles são atingidos por doenças, resistem melhor a temperaturas entre 40 e 42°C do que outros espécimes infectados, porém expostos a temperaturas ambientes mais baixas. Os mesmos resultados foram notados em cãezinhos afetados por vírus de herpes canina. A utilização de aspirina em dosagem antipirética, aplicada em coelhos doentes, provocou mortalidade mais notória do que em grupos de prova que não receberam a medicação.

Numerosas razões explicam esses fenómenos. As altas temperaturas são capazes de inibir a multiplicação dos germes. Quarenta e um graus centígrados matam as espiro-quetas da neuro-sífilis. Agentes do cólera aviário são neutralizados a 43°C. No homem, foi verificado que os vírus da poliomielite têm crescimento 250 vezes menor a 40°C do que a 37°C.

As temperaturas elevadas parecem estimular as defesas imunitárias. Uma hipertermia as tornará mais eficazes, desde que não ultrapasse os 40 graus. Por intermédio dos pirógenos ocorre o aumento da produção dos anticorpos pelos linfócitos B, bem como do interferon. Essas substâncias agem com mais eficácia no nível de certos oligoelementos. Elas induzem a uma baixa taxa de ferro, de zinco (contrariando o crescimento bacteriano) e, em troca, a um aumento do cobre (antibacteriano indispensável às funções imunitárias).

Tais propriedades da febre foram aplicadas às moléstias que eram inacessíveis aos medicamentos. O prêmio Nobel de medicina de 1927 foi atribuído a Von Jauregg, porque ele desenvolveu um tratamento contra a sífilis terciária pela hipertermia. Em nossos dias, certos terapeutas apelam para a hipertermia para combater afecções cancerosas (na bexiga e em melanomas, e por microondas sobre cancros intestinais e pulmonares).

A febre é ainda benéfica à vasodilatação por ela provocada em nível dos órgãos emunctórios (pele, rins, intestinos, pulmões), auxiliando na eliminação das toxinas. Assim, a ex-sudação (transpiração) e a aceleração da respiração e da frequência cardíaca não devem ser consideradas como sinais clínicos desfavoráveis, mas como auxílio à cura e um atendimento à necessidade do organismo de se livrar de substâncias nocivas, poluentes, germes, dejetos do catabolismo, ou mesmo de células cancerosas ou pré-cancerosas sensíveis à hipertermia.

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