O apêndice, anatomia explicada

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O apêndice, anatomia explicada
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Muitas pessoas não sabem o que é o apêndice e outras julgam que é um órgão de menor importância.

Vamos explicar melhor a anatomia do apêndice e qual a sua função no organismo humano.

A anatomia do apêndice

O apêndice ileocecal, ou simplesmente apêndice, é uma saliência do intestino grosso com a forma de um dedo de luva. Apesar de ser bem estudado, conceitos obtidos da teoria de darwin têm induzido muitos autores a subestimar a sua real importância. O órgão tem sido considerado um resquício da evolução humana, que se vem reduzindo de tamanho paulatinamente e tende a desaparecer ao fim de alguns séculos.

Nesse processo involutivo, as suas funções tornar-se-iam desprezíveis ou ausentes. A consequência natural seria a perda de utilidade, servindo apenas para sofrer de apendicite aguda. Desse modo, poderia ser extirpado, mesmo que o seu aspeto parecesse normal, no intuito de evitar essa grave doença.

Essas conceções questionáveis e de implicações prejudiciais podem ser corretamente respondidas à luz da ciência anatómica. Parecido com um verme, o apêndice localiza-se sob o ceco, saco intestinal, aproximadamente 2,5cm abaixo da junção do intestino grosso com o delgado. O tamanho varia de 2 a 22cm de comprimento, com uma média de 9cm. A sua posição é extremamente variável (ver quadro) – mais do que qualquer outro órgão – e, se for muito longo, pode estender-se a qualquer parte do abdómen. Por isso, diz-se que o apêndice é o único órgão que não tem anatomia fixa.

O apêndice possui um canal chamado lúmen, que se abre no ceco por um pequeno orifício. Esse canal faz parte do meio externo e, portanto, o seu revestimento é um possível local de entrada de elementos estranhos. O lúmen é irregular e muito estreitado pela presença de cerca de 200 massas linfáticas na sua parede. Essas massas são grandes acumulações esféricas de células imunitárias, representando uma defesa local contra infeções e um ambiente de amadurecimento de linfócitos.

 

Amígdala intestinal

O apêndice não pode ser entendido de modo isolado, mas sim como parte do sistema imunitário. Esse sistema compreende estruturas e células distribuídas por todo o corpo. A sua função principal é defender os sistemas orgânicos contra micro-organismos invasores e suas toxinas e contra substâncias alheias. As suas células identificam as moléculas que são próprias do corpo, no meio de outras estranhas, quer estejam isoladas, quer façam parte de um micróbio ou de uma célula cancerosa.

O sistema imunitário identifica e coordena a inativação ou destruição de elementos agressores. Os órgãos linfáticos e, entre estes, os nódulos linfáticos, são as principais estruturas a participarem do processo de resposta imunitária do organismo.

Esses nódulos são agregados de tecido imunitário e estão localizados na parede de diversas estruturas, formando um conjunto conhecido como MALT (Mucosa-Associated Lymphoid Tissue: tecido linfático associado à mucosa). São particularmente evidentes na boca e no intestino, formando anéis linfáticos que circundam a garganta (anel de Waldeyer), o íleo (placas de Peyer) e o apêndice.

Desse modo, a constituição e a função do apêndice são semelhantes às das amígdalas, razão por que se pode considerá-lo um tipo de “amígdala intestinal”. A extensa distribuição dos componentes linfáticos e a constante circulação das células imunitárias proporcionam um sistema muito eficiente de defesa através de células imunocompetentes.

apêndice

 

Organismo de defesa

O trato gastrointestinal é o maior órgão imune do corpo. Por estar constantemente exposto a organismos causadores de doenças, precisa de os impedir de entrar no corpo através dos tecidos absortivos. Para fazer isso, são necessários órgãos como o apêndice. Se micro-organismos patogénicos ou substâncias tóxicas invadem o intestino, os recetores sensitivos e as células imunes do tecido linfático reagem logo.

A posição estratégica do apêndice é crucial para a realização da sua função defensiva, através da produção de linfócitos. Ele localiza-se junto ao ceco, órgão que, por reter grande volume de fezes, é a estrutura mais contaminada do ser humano.

O cólon (intestino grosso) é o principal ponto de localização de bactérias do corpo. Esses seres vivos correspondem a 20% do peso fecal, perfazendo aproximadamente 10 bactérias/grama de fezes. Ali, o apêndice funciona como verdadeiro “vigia”, evitando a proliferação bacteriana excessiva.

Devido à sua atividade, o apêndice está permanentemente inflamado. A apendicite aguda instala-se quando a capacidade de defesa do órgão é suplantada. A atuação do apêndice é tão eficiente que a esmagadora maioria das pessoas nunca sofrerá da doença.

Devido à sua complexa anatomia, à sua função evidente, à sua rica vascularidade, à sua diferenciação microscópica e ao seu tamanho considerável, o apêndice é mais provavelmente uma estrutura especializada do que a degenerada ou vestigial sobra de um órgão inútil.

 

A doença do apêndice

O quadro clássico de apendicite é de dor abdominal não intensa, em torno do umbigo, sem febre, mas acompanhada de náuseas, vómitos e falta de apetite. Inicialmente, os pacientes não parecem doentes e podem até ser acusados por fazerem gastar tempo ao médico. Mas, depois, a dor desloca-se para a região anterior e inferior direita do abdómen (fossa ilíaca direita).

Com o avanço da doença, o apêndice inflamado aumenta e, se não for devidamente tratado, perfura e extravasa o seu conteúdo fecal, causando uma inflamação mais disseminada na parede abdominal. Esta, então, é percebida como uma dor intensa, fina e bem localizada, acompanhada de febre alta. O diagnóstico é feito por exame clínico médico, ultrassonografia e tomografia computorizada.

As causas da apendicite estão relacionadas com as características nocivas das fezes. Na maioria das vezes trata-se de obstrução do lúmen apendicular por faixas fibrosas, fecalitos (pequenas pedras de fezes ressequidas), tumores, vermes e aumento do volume dos nódulos linfáticos do apêndice. Num terço dos casos, não acontece obstrução.

O lúmen do apêndice é relativamente amplo no recém-nascido e muitas vezes fechado no idoso. Visto ser a obstrução do lúmen a causa mais usual de apendicite, entende-se porque a doença é incomum nos extremos da vida. A ponta da única artéria que nutre o apêndice está em contacto direto com a sua parede, podendo, assim, entupir rapidamente na apendicite, resultando em gangrena da parte distal e perfuração do órgão. A remoção do apêndice é realizada por um corte na fossa ilíaca direita.

O ceco é exposto, o apêndice visualizado e, juntamente com os seus vasos, é amarrado, seccionado e extraído. Para maior segurança, o local da sutura é sepultado na parede do ceco. Por fim, a parede abdominal é suturada.

 

Para evitar a apendicite

Como o tratamento atual da apendicite é cirúrgico, evitar a doença é livrar-se de um problema que pode causar considerável sofrimento ou até mesmo a morte. Dois aspetos devem ser levados em conta: a deteção correta do problema, que é fundamental para diminuir os perigos da doença, e as características das fezes.

Além disso, é importante saber que os mais eficientes métodos preventivos são o diagnóstico médico sem demora, e a melhoria da qualidade e redução do volume do bolo fecal. Veja
no quadro da página 13, algumas sugestões para prevenir uma apendicite.

Fonte:
Sandro Cilindro de Souza, Cirurgião Plástico e Geral
Iana Silva de Souza, Fisioterapeuta
na revista Saude e lar.

Agora já sabe o que é o apêndice e qual a função no organismo humano.

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