Síndrome do olho seco

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Síndrome do olho seco
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Olho seco é uma síndrome cada dia mais comum e ainda pouco valorizado.

Caso sinta “areia nos olhos”, ardor, comichão, desconforto, dificuldade em encarar a luz, episódios de visão turva ou tem, com frequência, olhos vermelhos e lacrimejantes, pode sofrer de uma patologia comummente chamada olho seco.

Este problema de saúde pode acompanhar-se de alterações da córnea e ter graus de gravidade diferentes, causando em casos extremos cegueira. A síndrome do olho seco atinge cerca de 10% da população adulta, chegando aos 18% nos idosos. Tem havido nos últimos anos um aumento da sua frequência, surgindo em idades cada vez mais precoces.

O diagnóstico de olho seco deve ser feito pelo seu oftalmologista, uma vez que só com preparação médica e equipamentos adequados se pode confirmar esta doença e avaliar o estado do paciente, sendo cada caso tratado de acordo com a sua gravidade. Há várias glândulas responsáveis pela produção/secreção dos diferentes componentes do filme lacrimal (fig.1).

A secura ocular pode ser a manifestação da afetação destas glândulas por doenças sistémicas (generalizadas), tal como a diabetes, a artrite reumatoide, o lupus, a dermatomiosite e outras, ou por doenças localizadas, como as inflamações oculares e/ou palpebrais ou ainda estar relacionada com a toma de alguns medicamentos que interferem com a secreção lacrimal, desde a vulgar pílula contracetiva, a medicação para a depressão, a tensão arterial, etc..

Outra das causas para este tipo de olho seco, denominado hiposecretor, é a idade. O olho seco também pode ter uma causa evaporativa. Nestes casos, produzem-se lágrimas em quantidade e, por vezes, qualidade suficientes, mas perdem-se excessivamente por evaporação.

Simples medidas como deixar de fumar, evitar ambientes de ar condicionado e/ou poluídos, evitando também passar horas seguidas em frente aos monitores, podem ser muito úteis. Noutras situações, ambas as causas (hiposecretora e evaporativa) podem coexistir.

O olho é um sistema ótico para a captação das imagens, enviando-as depois ao cérebro, que as processa. Será importante dar ao Leitor a noção do que chamamos superfície ocular. Esta é constituída pela porção mais anterior do olho e anexos, que é aquela que contacta com o ambiente. Da superfície ocular fazem parte as pálpebras, que, com o pestanejar, vão renovando e distribuindo o filme lacrimal sobre a córnea (efeito “limpa para-brisas”), o próprio filme lacrimal, com uma camada externa oleosa (lipídica), que impede a evaporação da camada aquosa, intermédia, que assegura a nutrição e oxigenação da parte mais externa da córnea, e uma última camada em contacto direto com a superfície da córnea, a mucínica (fig. 2).

O filme lacrimal desempenha também um papel fundamental na proteção bacteriostática e imunológica dos olhos e possui funções refrativas (relacionadas com a qualidade da imagem que atravessa o globo ocular em direção à retina). Da integridade da superfície ocular depende a saúde da porção mais externa dos seus olhos, o conforto ocular e a boa receção das imagens (de nada adianta ter uma boa máquina fotográfica, se as óticas estiverem embaciadas).

olho seco

 

O que fazer em caso de olho seco?

O que podemos fazer para manter uma boa superfície ocular e, consequentemente, prevenirmos ou reduzirmos os sintomas relacionados com o olho seco?

1. Devemos evitar as situações que desencadeiam o aparecimento dos sintomas. Há pessoas mais sensíveis ao ar condicionado, outras referem queixas quando usam monitores ou lentes de contacto ou estão em zonas mais poluídas, de muito calor ou de muito vento. Deve-se ter particular atenção à alergia ocular, só por si causa de olho seco evaporativo.

2. Procurar ter uma alimentação saudável, evitando açúcares, adoçantes e gorduras hidrogenadas. Os alimentos ricos em ómega-3, vitaminas A, C e E, como os cereais integrais, a batata-doce, a abóbora, os vegetais, de preferência crus, as nozes, as amêndoas e as avelãs, consumidas, sobretudo, logo após serem partidas, as cenouras, os espinafres, as sementes de linhaça moídas podem contribuir para prevenir os sintomas de olho seco, melhorando a qualidade das lágrimas e nutrindo as diferentes estruturas oculares.

3. Beber vários copos de água por dia contribuirá também positivamente para este efeito secretório.

4. Mas não fique por aí. Se é fumador, dê um importante passo na luta contra a síndrome do olho seco. Visto que o tabaco é um dos principais inimigos dos olhos, deixe de fumar e evite ambientes onde haja fumo de tabaco. O fumo e o calor libertados pelo cigarro desnaturam a camada mais superficial do filme lacrimal (lipídica), levando à evaporação da camada aquosa, tornando os olhos mais sensíveis e vulneráveis à ação dos agentes externos.

5. Procure tomar os medicamentos estritamente necessários e informe-se com o seu médico, se algum deles interfere com a produção lacrimal, pois pode haver necessidade de lhe ser prescrita uma lágrima.

6. Pestaneje com frequência e voluntariamente, quando estiver a utilizar os monitores, devendo posicioná-los sempre abaixo da linha de visão, de forma a diminuir a área da fenda palpebral, reduzindo assim a evaporação das lágrimas. Faça intervalos frequentes. Será uma boa ajuda, nesses intervalos, se aproveitar para “sair” do ambiente de trabalho e olhar para longe, para uma paisagem calma, relaxante, mesmo que seja através de uma janela.

 

Existe tratamento para a síndrome de olho seco?

Como tratamos o olho seco?

1. O médico oftalmologista pode receitar lágrimas artificiais, sempre que possível sem conservantes (os conservantes são lesivos para a superfície ocular e podem agravar os sintomas).

2. Se o problema for mais grave, os orifícios de drenagem das lágrimas podem ser fechados, temporária ou definitivamente (fig3). Não se trata de uma cirurgia, propriamente dita.

3. Em casos extremos, pode ser necessário recorrer a cirurgias utilizando tecidos secretores glandulares.

O Síndrome do olho seco é um problema de saúde que não deve ser ignorado.

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