Andropausa: “a menopausa do homem”

Sabe o que é a andropausa?

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Muitos homens não acreditam, mas a verdade é que também eles, a partir dos 40 anos, vivem uma espécie de menopausa. Com sintomas mais discretos, mas muitas vezes perturbadores da qualidade de vida. Descubra como pode enfrentar esta fase a que se chama andropausa.

Ninguém escapa à passagem do tempo. Nas mulheres, a menopausa marca a entrada numa nova fase da vida; mas atenção meus senhores, os homens também não escapam aos efeitos do envelhecimento e com a chegada dos 40 anos começam a surgir as primeiras alterações causadas por desequilíbrios hormonais.

Mas, se nas mulheres, este ciclo é marcado de forma evidente pelo fim da menstruação e consequentemente pela cessação da capacidade reprodutora, nos homens não existe um marco claro que assinale a transição. Aliás, para alguns, a “mudança de idade” passa despercebida, a tal ponto que muitos a consideram um mito. No entanto, estamos a falar de uma etapa da vida bem real, que implica uma série de alterações hormonais que dão origem a modificações físicas, emocionais e sexuais no homem.

Tal como nos explica o urologista José Pereira da Silva, “designamos de andropausa a redução ou perda de atividade sexual no homem que se acompanha de outras perturbações de ordem geral”. Este é um período caracterizado por uma diminuição da produção de testosterona (hormona sexual masculina, segregada pelos testículos), à semelhança do que sucede com a descida dos níveis de estrogénios (hormonas sexuais femininas produzidas nos ovários) da mulher durante a menopausa. Mas ao contrário do que acontece no sexo feminino, os homens não sofrem modificações hormonais difíceis de ultrapassar e mantêm a sua capacidade reprodutora.

As diferenças não terminam aqui. Enquanto a menopausa se instala de forma abrupta, a andropausa tende a ser um fenómeno insidioso, lento e gradual, podendo iniciar-se entre os 40 e os 70 anos. “A andropausa parece evidenciar-se com maior frequência a partir dos 50 anos de idade mas existe grande variabilidade relacionada com o estilo de vida do homem em questão. Regra geral, quanto mais saudável foi e é o seu estilo de vida, mais tardia e suave é a ocorrência da andropausa”, revela o urologista.

Mas atenção, “o raciocínio contrário também é verdadeiro”, alerta José Pereira da Silva. Apesar de surgir associada ao envelhecimento e de se poder relacionar com a diminuição de níveis de testosterona, existem outros fatores que podem agravar ou acelerar o aparecimento da andropausa. É o caso do sedentarismo, consumo excessivo de álcool e tabaco, stress, múltipla medicação e várias doenças como “a obesidade, a diabetes mellitus e a prostatite [inflamação da próstata] ”, acrescenta o especialista.

 

Vença os efeitos da andropausa

Comparativamente com a menopausa, os sintomas da andropausa são mais subtis e por isso não se observam tão facilmente. E tal como acontece no sexo feminino, há homens que passam esta fase sem problema nenhum, contudo também há outros em que os sintomas se manifestam de forma mais acentuada.

Os problemas mais marcantes da andropausa podem surgir a nível sexual, daí que as principais queixas de quem se encontra a viver este período sejam, tal como o urologista explica, “redução ou perda de motivação sexual (libido), redução ou perda da atividade sexual, dificuldade em obter e manter ereções capazes de garantir a realização das relações sexuais mutuamente satisfatórias, diminuição da sensação de orgasmo e da satisfação sexual, redução da densidade óssea e queda de pelo na região pélvica, peito, face e couro cabeludo”. Para além destes efeitos, pode-se ainda apontar uma diminuição na vitalidade, fadiga, irritabilidade, tendência a depressão, alterações de humor, ansiedade, insónias, dificuldade de concentração, perda de massa muscular e cefaleias, entre outros efeitos.

Perante o aparecimento destas queixas, o homem deverá consultar o médico de família ou o urologista para que possam averiguar as possíveis causas desta condição. Para esse efeito, ser-lhe-á solicitada a realização de análises ao sangue para avaliar os seus níveis de testosterona, bem como alguns exames clínicos específicos.

E se de facto a andropausa já se tiver anunciado, nada de angústias. José Pereira da Silva assegura-nos que é possível atenuar o seu impacto, devolvendo ao organismo masculino o equilíbrio hormonal perdido. E isso consegue-se com a promoção e adoção de “medidas regenerativas e/ou de compensação mais indicadas para o seu caso específico, de modo a que possa sentir-se mais enérgico no dia-a-dia, mais saudável e em plenitude ou o mais próximo possível dela”, afirma o urologista.

Entre elas encontra-se a terapia de reposição hormonal, que é destinada aos casos em que existe uma diminuição da produção de testosterona. Esta reposição pode ser feita, nomeadamente, mediante aplicação de testosterona em gel, creme ou adesivos cutâneos, a fim de normalizar esses valores hormonais.

No entanto, existem outros cuidados essenciais que podem ajudar os homens a enfrentar esta fase ou a retardar o seu aparecimento e que passam simplesmente pela adoção de um estilo de vida saudável, que inclua uma alimentação equilibrada e a prática de exercício físico regular.

Assunto ainda é tabu

Quando os sintomas da andropausa começam a manifestar-se, o homem teme de imediato pelo fim da sua virilidade e sexualidade. A preocupação aumenta ainda mais quando se sabe que a diminuição dos androgénios (hormonas masculinas), sobretudo a testosterona, pode originar, em alguns casos, disfunção erétil ou pelo menos redução da ejaculação e dificuldades em atingir o orgasmo.

Vânia Beliz, psicóloga clínica e sexóloga, revela-nos que “para os homens as alterações mais problemáticas ao nível da sexualidade dizem respeito ao desempenho. Na maioria das vezes, temem as dificuldades e a perda de capacidade terem e darem prazer às parceiras”. Mas tal como sublinha – e vimos atrás algumas soluções – “tudo isso pode ser ultrapassado”.

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