Conheça os sintomas de apendicite em adultos, idosos e crianças

Fique a conhecer os principais sintomas de apendicite tanto nas crianças como nos adultos ou idosos.

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Quando falamos de apendicite, estamos a mencionar  uma doença bastante comum, que em termos estatísticos chega a afectar cerca de 7% da população. Trata-se de uma doença que pode não ser fácil de diagnosticar, principalmente em crianças e idosos.

É na actualidade uma das principais emergências médicas a nível mundial. Desenvolve-se pela inflamação do apêndice e geralmente é um problema que surge entre os 10 e 30 anos, contudo pode também ocorrer noutras idades, apesar de ser muito rara nas crianças com menos de 2 anos.

O apêndice é um órgão do corpo humano que possui uma dimensão e localização com variações. Sendo uma realidade que a sua proximidade com outros órgãos da pelve e do abdómen por vezes faz com que os sintomas de apendicite sejam confundidos com os de outras doenças ou problemas de saúde . A dor abdominal do apêndice pode ser confundida com várias outros problemas de saúde como por exemplo diverticulite, torção do ovário, gravidez ectópica e até mesmo cálculo renal.

 

Sinais e sintomas da apendicite nas pessoas adultas:

Os sinais ou sintomas mais comuns da apendicite são:

  1. Dor abdominal.
  2. Endurecimento da parede do abdómen.
  3. Náuseas.
  4. Vómitos.
  5. Perda do apetite.
  6. Febre.
  7. Diarreia
  8. Prisão de ventre.
  9. Distensão abdominal.
  10. Leucocitose (aumento do número de leucócitos no hemograma).

Nem todos os sinais e sintomas desta lista estão sempre presentes nas pessoas que sofrem de apendicite aguda. Alguns destes sintomas, tais como a diarreia, a prisão de ventre ou distensão abdominal, ocorrem geralmente em menos da metade dos casos.

Vamos falar com mais detalhes sobre cada um dos dez sintomas mencionados, demonstrando a sua importância para o diagnóstico real de uma apendicite. Vamos descrever primeiramente o quadro clínico da apendicite nos adultos e depois nos bebés, crianças e adolescentes.

Dor Abdominal

O sintoma considerado mais comum, presente em praticamente 100% dos casos de inflamação do apêndice ou apendicite é a dor abdominal. No entanto esse tipo de dor pode ser causada por diversos problemas diferentes, por isso, conhecer as características típicas da dor da apendicite é importante para o seu diagnóstico correcto.

a) Dor típica da apendicite

É importante salientar que o apêndice em si é um órgão que possui um fraco sistema sensorial e nervoso. Por esse motivo, na fase inicial de um quadro de apendicite, quando a inflamação se limita apenas ao apêndice, o cérebro da pessoa tem dificuldade em reconhecer qual é o local exacto do trato intestinal que está em sofrimento. Apesar de que o nosso apêndice se localiza no quadrante inferior direito do abdómen, a dor consequente de uma apendicite, nas horas iniciais, cerca de 6 a 8 horas iniciais, costumam ser sentidas ao redor do umbigo. Nessa fase a pessoa não consegue determinar com exactidão o local que dói porque o cérebro está confuso. Quando questionado, o paciente geralmente faz um movimento circular com o dedo indicador ao redor do umbigo.

Durante as primeiras 24 horas, conforme a inflamação se vai agravando e passa a atingir não só o apêndice, mas também as alças intestinais ao seu redor e o peritonio (membrana que envolve o trato gastrointestinal), o cérebro do paciente começa a perceber mais precisamente o local afectado, tornando-se assim muito mais claro para o paciente que existe um problema na região inferior direita do abdómen.

O quadro de dor mal localizada ao redor do umbigo, que em questão de algumas horas passa para o quadrante inferior direito do abdómen, tornando-se restrita a um ponto bem determinado, é o sintoma mais claro e típico da apendicite, ocorrendo por norma em mais de 65% dos casos. Sempre que um médico atende um paciente com esse tipo de dor, a hipótese de apendicite deve ser considerada prioritária.

Quando o peritonio é afectado, a dor da inflamação do apêndice intensifica-se claramente, e a palpação do abdómen torna-se muito dolorosa. A dor habitualmente tende a agravar-se quando o paciente tosse, tenta andar ou quando faz algum movimento brusco com o tronco.

Durante o exame físico para diagnóstico,  existe um sinal bastante típico da apendicite aguda chamado dor à descompressão ou sinal de Blumberg. Esse sinal é investigado da seguinte forma: pressionamos com a mão a região inferior direita do abdómen e perguntamos ao paciente se ele sente dor. Regra geral a resposta é sim. Em seguida, retiramos de forma súbita a mão que estava a pressionar o abdómen e observamos o comportamento do paciente. Quando há apendicite, com irritação do peritônio, essa rápida retirada da mão provoca uma dor mais intensa no local, bastante mais forte que aquela provocada pela compressão do abdómen.

Ainda durante o exame físico, outro factor comum a ter em conta é o endurecimento da musculatura abdominal. Quando o paciente apresenta um processo inflamatório intra-abdominal, a tendência é haver uma contratura involuntária dos músculos naquela região, sinal que chamamos de “defesa abdominal”. Ao se palpar o abdômen de um paciente com apendicite, nota-se que a parede abdominal à direita encontra-se endurecida e bastante dorida..

b) Outros padrões de dor da apendicite

Quando um utente se apresenta no serviço de emergência de um hospital com a típica dor da apendicite, poucos  médicos têm dificuldade em estabelecer o diagnóstico correcto. O problema nesse diagnóstico surge quando o paciente apresenta um padrão atípico de dor ou não consegue descrever os seus sintomas de forma adequada, como nos casos das crianças muito pequenas ou idosos com demência ou dificuldades cognitivas. Os pacientes imunossuprimidos, por não desenvolverem processos inflamatórios exuberantes, também podem ter apresentações atípicas da apendicite.

Em aproximadamente 15% das pessoas o apêndice está localizado mais posteriormente, fazendo com que o local da dor da apendicite seja um pouco diferente da que é habitual. Em vez da típica dor no quadrante inferior direito do abdómen, estes pacientes tendem a queixar-se de dor lombar do lado direito, dor no quadrante superior direito ou até mesmo dor em todo o flanco direito.

Existem também pacientes com apêndices localizados em zonas mais baixas, cuja ponta se estende até a região da pelve. Nesses casos, a dor pode ser localizada na virilha à direita, junto ao ânus ou na zona púbica. Neste tipo de pacientes é comum que ao evacuar ou urinar se agrave a dor.

c) Apendicite com dor no lado esquerdo do abdómen

Apesar de que mesmo nos casos atípicos a dor da inflamação do apêndice costuma ficar restrita ao lado direito do abdómen, é também possível que o paciente com apendicite tenha dor do lado esquerdo do abdómen, caso o apêndice seja mais comprido do que é habitual e se estenda até o lado esquerdo da cavidade abdominal.

Contudo, a apendicite não deve ser a primeira hipótese diagnosticada nos pacientes com dor abdominal no lado esquerdo, excepto em casos muito raros de situs inversus (que é uma condição rara na qual os pacientes apresentam órgãos do tórax e abdómen em posição oposta àquela que é vulgar).

Náuseas, vómitos e perda de apetite

Sentir náuseas, vómitos e perda do apetite tendem a surgir logo após o início da dor abdominal. Este tipo de mal-estar costuma ocorrer em mais de 90% dos casos de apendicite.

As náuseas, com ou sem vómitos, e perda do apetite são sintomas pouco específicos, que são predominantes numa vasta diversidade de problemas de saúde. Contudo, quando associados a dor abdominal periumbilical que se agrava e vai migrar para o quadrante inferior direito num prazo de aproximadamente 24 horas, já aumenta muito  a probabilidade de ser uma apendicite.

Febre

O paciente ter febre não é habitual nas primeiras horas de evolução de uma apendicite, principalmente nas crianças e nos idosos. Contudo, algumas pessoas, podem ter febre baixa, com temperaturas ao redor de 37,5ºC e 38ºC.

Por norma o sintoma de febre elevada não ocorre nos quadros de inflamação do apêndice, excepto os casos mais graves, quando exista perfuração do apêndice e extravasamento de material fecal dos intestinos para dentro da cavidade abdominal, o que gera  intensa reacção inflamatória e grave infecção.

Diarreia ou prisão de ventre

Diarreia significativa não é um sintoma comum na apendicite. Quando presente, o médico deverá considerar outros diagnósticos prioritariamente, embora não deva excluir totalmente a possibilidade de apendicite.

As pessoas que tem o apêndice localizado mais próximo da região pélvica podem ter diarreia, caso a inflamação da apendicite afecte também o recto. Na realidade, normalmente nestes casos o que o paciente tem não é propriamente diarreia, mas, sim um aumento na frequência das evacuações, sem necessariamente haver grandes perdas de fezes líquidas.

Para além da diarreia, a constipação intestinal não é sintoma típico da apendicite aguda. Embora a maioria dos pacientes não a tenha, isso não significa que a inflamação do apêndice possa ser descartada. .

Leucocitose

A leucocitose – que é identificada através de exames de sangue – significa um aumento do número de leucócitos no sangue, sendo um dos tipos de células mais importantes do nosso sistema imune. Quando existe uma infecção ou um processo inflamatório extenso, uma das primeiras reacções tomadas por nosso sistema imunológico é aumentar a produção dos leucócitos.

Uma taxa superior a 80% dos pacientes com quadro de apendicite aguda apresentam leucocitose no exame de hemograma. Geralmente, quanto mais intensa a leucocitose mais extenso é o processo inflamatório.

apendicite em crianças

Sinais e sintomas da apendicite em bebés, crianças e adolescentes

O quadro clínico da apendicite em adolescentes é semelhante aos adultos. Já nas crianças com menos de 12 anos, os sintomas podem ser um pouco diferentes.

a) Sintomas da apendicite em crianças entre 5 e 12 anos

Tal como ocorre nos adultos, a dor abdominal e os vómitos são os sintomas mais comuns da inflamação do apêndice nas crianças em idade escolar, embora a característica migração da dor da região periumbilical para o quadrante inferior direito possa não ocorrer.

A frequência dos sinais e sintomas da apendicite aguda nesta faixa etária é a seguinte:

  • Dor no quadrante inferior direito do abdómen – 82%
  • Náuseas – 79%
  • Perda do apetite – 75%
  • Vómitos – 66%
  • Febre – 47%
  • Diarreia- 16%

b) Sintomas da apendicite em crianças entre 1 e 5 anos

A apendicite é incomum em crianças com menos de 5 anos. Febre, vómitos, dor abdominal difusa e rigidez abdominal são os sintomas predominantes, embora irritabilidade, respiração ruidosa, dificuldade para andar e queixas de dor na região direita do quadril também possam estar presentes.

A típica migração da dor para o quadrante inferior direito do abdómen ocorre em menos de 50% dos casos. Diarreia e febre, todavia, são bem mais comuns que nos adultos. As crianças pequenas costumam apresentar febre baixa (ao redor de 37,8ºC) e ruborização das bochechas.

A frequência dos sinais e sintomas da apendicite nessa faixa etária é a seguinte:

  • Dor abdominal – 94%
  • Febre – 90%
  • Vómitos – 83%
  • Dor à descompressão – 81%
  • Perda do apetite – 74%
  • Rigidez abdominal – 72%
  • Diarreia- 46%
  • A distensão abdominal – 35%

c) Sintomas da apendicite em crianças com menos de 1 ano

A ocorrência de uma inflamação do apêndice em crianças com menos de 5 anos é incomum e em recém-nascidos e no primeiro ano de vida é ainda mais raro. A baixa frequência de apendicite nessa faixa etária deve-se muito provavelmente ao formato mais afunilado e menos propenso à obstrução do apêndice, diferente do formato mais tubular do órgão em adultos e crianças mais velhas

Apesar de ser bastante rara, a mortalidade neonatal por apendicite é de quase 30%, isso deve-se principalmente à dificuldade em fazer um diagnóstico precoce e atempado, já que o quadro clínico costuma ser bastante atípico. A distensão abdominal é mais comum que a própria dor abdominal, provavelmente porque bebês não conseguem comunicar-se adequadamente.

A frequência dos sinais e sintomas da inflamação do apêndice nessa faixa etária é a seguinte:

  • Distensão abdominal – 75%
  • Vómitos – 42%
  • Perda do apetite – 40%
  • Dor abdominal – 38%
  • Febre – 33%
  • Inflamação da parede abdominal – 24%
  • Irritabilidade ou letargia – 24%
  • Dificuldade respiratória – 15%
  • Massa abdominal – 12%
  • Sangramento nas fezes – 10%

Ter atenção aos sintomas da apendicite é essencial para uma rápida intervenção evitando problemas mais graves.

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