Clamídia e infertilidade: que relação?

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A clamídia é hoje uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns, afectando milhões de pessoas em todo o mundo e é classificada como uma das causas de infertilidade.

Causada pela Chlamydia trachomatis, pelo que ao contrário de outras doenças transmissíveis como o herpes ou o HPV, de origem viral, a sua origem é bacteriana. Por ser uma doença sexualmente transmissível silenciosa e não apresentar muitas vezes sintomas, passa frequentemente despercebida, o que facilita a sua transmissão e aumenta o risco de problemas mais graves como a infertilidade e a gravidez ectópica na mulher.

Contudo, a infertilidade não é apenas uma consequência da clamídia para as mulheres, sendo importante considerar a presença desta doença quer actualmente, quer no passado, em ambos os membros do casal que tenta conceber. Muitas pessoas apenas ficam a saber que foram infectadas com clamídia quando tentam conceber e não conseguem, pelo que o seu diagnóstico precoce e tratamento são fundamentais para evitar as consequências que esta doença possa ter.

Como é que a clamídia pode causar infertilidade?

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a infertilidade afecta entre 10 a 15% dos casais em idade reprodutiva, caracterizando-se pela incapacidade em conceber, sem recorrer a métodos contraceptivos por um período superior a um ano. As doenças sexualmente transmissíveis classificam-se com uma das principais causas, tendo a sua prevalência aumentado na últimas décadas. A clamídia não é excepção, sendo mais comum em adultos jovens e em pessoas com múltiplos parceiros sexuais.

Quando deixada por tratar ou não tratada a tempo, a clamídia pode disseminar-se para outras partes do sistema reprodutivo feminino como o útero e as trompas de Falópio e causar doença inflamatória pélvica (DIP). Esta é a causa mais comum de infertilidade nas mulheres, afectando 1 em cada 5 mulheres infectadas com clamídia.

Tal como a clamídia, a DIP desenvolve-se muitas vezes sem apresentar sintomas, motivo pelo qual é frequentemente diagnosticada tardiamente. O desenvolvimento de tecido cicatricial e bloqueios nas trompas de Falópio causados por esta doença são os principais factores na origem da infertilidade, bem como na origem de abortos, parto prematuro e morte fetal.

A DIP também pode ser responsável pela gravidez ectópica, que se caracteriza pela implantação do óvulo fertilizado fora do útero. O local mais comum são as trompas de Falópio, ocorrendo a implantação nestes órgãos em vez de no útero, devido ao seu bloqueio.

Apesar de pouco frequente (estima-se que a gravidez ectópica afecte apenas 1% das gravidezes), esta condição apresenta um grave risco para a mulher, podendo ser responsável por hemorragias internas e por danos irreversíveis no sistema reprodutivo. Apesar de o impacto da infecção por clamídia na fertilidade dos homens não estar bem esclarecida, sabe-se que a presença de anticorpos contra a clamídia no homem pode reduzir as hipóteses de concepção do casal em 33%.

Não só a fertilidade do casal fica comprometida, muito em parte devido ao impacto que a clamídia pode ter na mulher, como as consequências desta doença para o homem incluem a infecção dos testículos e do epidídimo, o que pode alterar a qualidade do seu esperma.

Um estudo sueco publicado em 2004, revelou que apesar do impacto da clamídia na fertilidade ser menor nos homens do que nas mulheres, estes têm três vezes mais fragmentação de DNA nos espermatozóides do que os homens saudáveis. Porém, ao contrário das mulheres, este problema é facilmente reversível após a realização de tratamento antibiótico.

 

Como diagnosticar a clamídia?

Os sintomas da clamídia. A infecção por clamídia é frequentemente assintomática em ambos os sexos, porém quando ocorrem sintomas, a sua presença é mais comum em homens do que em mulheres.

Nas mulheres, no caso de ocorrerem sintomas, estes incluem:

•Dor ao urinar
•Corrimento vaginal anormal
•Comichão vaginal
•Alterações na urina
•Dor no baixo abdómen
•Hemorragia vaginal entre períodos menstruais

Nos homens os sintomas de clamídia incluem:

•Dor e ardor ao urinar
•Corrimento pelo pénis
•Alterações na urina
•Dor no escroto

O diagnóstico da clamídia pode ser feito com recurso a um esfregaço para retirar uma amostra quer do cérvix da mulher, quer da uretra do homem. Também podem ser realizados testes de urina para verificar a presença da bactéria.

Apesar de a realização de testes estar particularmente recomendada a mulheres sexualmente activas até aos 25 anos, a mulheres grávidas e a homens e mulheres com múltiplos parceiros sexuais, é importante que tanto os homens como as mulheres em idade fértil realizem testes para a detecção desta doença, devido ao impacto que a clamídia pode ter na sua saúde reprodutiva.

 

Como é feito o tratamento da clamídia?

Uma vez diagnosticada, a clamídia pode ser facilmente tratada com recurso a antibióticos, nomeadamente com Azitromicina e com Doxiciclina. É recomendada a abstinência sexual durante o tratamento e que ambos os parceiros o sigam, para reduzir o risco de uma nova infecção. O tratamento permite a eliminação completa da infecção entre uma a duas semanas, pelo que deve ser seguido tal como recomendado, mesmo que os sintomas desapareçam antes do fim do tratamento.

Após o tratamento, a eliminação da infecção deve ser confirmada com recurso a um novo teste de diagnóstico, garantindo que o impacto desta condição na fertilidade é minimizado.

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