Transplantes em Portugal – Números e Conceitos

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O primeiro transplante de órgãos em Portugal foi realizado há 44 anos nos Hospitais da Universidade de Coimbra.

Uma extensa equipa médica, liderada pelo cirurgião Linhares Furtado, fez um transplante renal com dador vivo. A intervenção foi pioneira no país e seguiu as tendências mundiais da década de 60, quando por todo o mundo se davam os primeiros passos na transplantação de órgãos. Saiba mais sobre este procedimento e sobre o que tem acontecido na transplantação em Portugal desde aí.

Genericamente, o procedimento é usado em situações de falência ou risco de falência do órgão, ou seja, quando este deixa de conseguir cumprir com as suas funções. Os transplantes mais vulgares são os de rins, transplante de coração, fígado, pulmões e pâncreas, no então, também podem ser realizados outros, como os transplantes de córnea ou mesmo de membros.

Quando se fala em transplante, estamos a referir-nos a todo o procedimento através do qual se implanta num paciente – o recetor- um órgão ou tecido que provém de outro organismo  – o dador. E dizemos de outro organismo e não de outra pessoa porque, na verdade, embora não sejam ainda feitos correntemente, é possível fazer aquilo a que se chama um xenotransplante, ou seja, transplantar de dador que pertence a outra espécie que não a humana. Também há situações nas quais é usado o autotransplante: o organismo dador e recetor são o mesmo. Este procedimento é utilizado sobretudo com autotransplantes de medula óssea como forma de tratamento para certos tipos de cancro, coadjuvante à quimioterapia.

Ainda assim, o mais vulgar hoje em dia é o alo-transplante, ou seja, situações nas quais o dador é outro indivíduo e da mesma espécie.

Os números dos transplantes em Portugal

Portugal registou um decréscimo de 19 por centro no número total de transplantes em 2012, por comparação com 2011, o que representou menos 157 transplantes realizados. Mas esta diminuição era já uma tendência que se vinha a verificar nos anos anteriores: 928 transplantes em 2009, 893 em 2010, 838 em 2011 e, no ano passado, 681. As quebras mais significativas aconteceram no transplante renal, hepático e cardíaco, já que nos transplantes pulmonares e pancreáticos, os valores tem-se mantido mais ou menos constantes ao longo destes quatro anos. Mas não é só, nos primeiros meses de 2013, a tendência de diminuição mantêm-se quando comparando com igual período do ano anterior.

Esta diminuição surge em paralelo com o decréscimo de dadores vivos, mas também com menos recolhas de dador cadáver feitas pelos hospitais. Para apurar as razões desta quebra de valores o Ministério da Saúde criou no final do ano passado um grupo de trabalho destinado a avaliar esta matéria. O grupo concluiu agora que, entre outras razões, os incentivos são insuficientes para cobrir as despesas e incentivar os profissionais e a falta de transparência e as desigualdades na atribuição de incentivos financeiros à colheita de órgãos e transplantação são um dos motivos para a diminuição da atividade em Portugal.

De positivo há o facto de nos primeiros meses do ano, mais concretamente em abril, ter sido realizado no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra o primeiro duplo transplante de rim ao abrigo do Programa Nacional de Doação Renal Cruzada. O Programa já havia sido criado em 2010 e tem por objectivo dar uma alternativa que permita ultrapassar a limitação à doação em vida no caso de haver incompatibilidade imunológica entre dador e recetor.

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