Como cuidar do doente de Alzheimer

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Cuidar de um doente de Alzheimer é uma tarefa difícil, que requer tempo, energia, esforço, perseverança e total dedicação. Mas será que os familiares estão preparados? Saiba como agir quando é o enfermeiro de serviço. Ninguém está preparado para receber a notícia de que um familiar sofre de doença de Alzheimer, uma patologia degenerativa do sistema nervoso central que incapacita progressivamente. Por isso, quando se obtém o diagnóstico, é comum os familiares serem invadidos por uma série de dúvidas e receios, para muitos dos quais não encontram respostas imediatas. Depois da receção da notícia, há que procurar dialogar com o médico acerca do tratamento mais adequado e sobre as melhores formas de apoiar o doente.

Geralmente, quando o doente é diagnosticado com Alzheimer, a família ou um dos seus elementos assume o papel de ser cuidador. Durante o desempenho deste papel assistem de forma quase impotente ao declínio mental e físico de alguém que amam, o que acarreta enormes esforços, quer a nível físico, quer a nível psicológico. No entanto, existem muitas medidas que poderá colocar em prática para ajudar o doente a manter-se tão independente quanto possível e continuar a desfrutar da sua vida.

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Informação e formação são fundamentais para cuidar de doentes de Alzheimer:

É muito importante que os cuidadores procurem informar-se sobre a doença e que, se possível, façam formação sobre como cuidar de pessoas com demência. O conhecimento é a base fundamental para o sucesso no processo de cuidar destes doentes, preservando a sua dignidade e mantendo a melhor qualidade de vida possível. A pensar nos familiares, que têm de reorganizar a sua vida e de aprender estratégias para lidar com esta patologia, e também nos cuidadores formais, a Associação Alzheimer Portugal organiza ações de formação e workshops com regularidade. O objetivo é esclarecer as dúvidas dos formandos e abordar diversas questões que surgem desde o início da doença até aos novos cuidados que passaram a fazer parte da sua vida diária.

“Muitas vezes, os cuidadores informais não sabem como lidar com a doença de Alzheimer. É importante percebermos a fase da patologia em que o familiar está, e termos sempre em conta a sua história de vida”. Quem o diz é Ana Margarida Cavaleiro, psicóloga e responsável pelo departamento de formação e projetos da Associação Alzheimer Portugal, que salienta a importância da aceitação da doença por parte dos familiares.

Para além disso, “os cuidadores não podem nunca esquecer que as pessoas com demência têm um percurso de vida que tem de ser respeitado e valorizado, e têm gostos e preferências que devem de ser mantidos”, alerta a psicóloga. Como tal, é importante aprender a estimular e incentivar o doente, respeitando a sua autonomia em segurança, e a lidar com as diferentes situações que vão surgindo no dia-a-dia, desdramatizando-as. Promova um ambiente seguro

O grande desafio para quem cuida de alguém passa por desenvolver um ambiente seguro, que satisfaça os cuidados e necessidades da pessoa, minimizando as perturbações do comportamento que possam surgir.

Todos os dias os doentes de Alzheimer estão rodeados de potenciais perigos, como o fogão aceso, a condução descuidada do automóvel ou o risco de se perder. Para salvaguardar o bem-estar e a integridade do doente, o cuidador deve identificar os possíveis riscos que o ambiente contém e tomar as devidas precauções.

No entanto, é importante não fazer mudanças drásticas e criar um ambiente restrito. “O meio que rodeia o doente deve dar a ideia de independência e encorajar a interação e as atividades que são fundamentais”, alerta Ana Margarida Cavaleiro.

Por isso, faça apenas as mudanças necessárias para a segurança, conforto e diminuição da tensão familiar. Por exemplo, o doente pode sair facilmente, ou chegar a áreas que constituam certo perigo, como a cozinha, a arrecadação ou a garagem? Então, assegure-se de que o acesso a esses locais está limitado. Mantenha os armários com produtos perigosos fechados e coloque barreiras de segurança nas escadas e nas portas.

Outro aspecto a que deve dar atenção são os vidros e espelhos. Como muitos doentes acabam por não reconhecer o seu próprio reflexo, estes objetos acabam por confundi-los ou assustá-los. Muitas vezes, a pessoa que se olha ao espelho pensa que está na companhia de outra sem se ter apercebido que está diante do seu próprio reflexo. Para evitar estas situações, o melhor é arrumá-los ou cobri-los. No lugar dos espelhos, opte por colocar fotografias espalhadas pela casa, para tentar melhorar a memória do doente.

Por sua vez, quando levar o doente a passear ou visitar a casa de alguém, vigie-o atentamente. Muitos dos acidentes que ocorrem com estas pessoas devem-se ao facto de não reconhecerem o ambiente onde se encontram e de não estarem familiarizadas com esse espaço.

 

Crie rotinas e atividades para os doentes de Alzheimer!

Comunicar, alimentar-se, vestir-se e cuidar da higiene pessoal são algumas das ações rotineiras que, gradualmente, o doente de Alzheimer vai deixar de conseguir realizar, ficando essas tarefas a cargo do cuidador. O estabelecimento de rotinas e de atividades irá ajudar por um lado a quem presta cuidados a despender menos tempo em pensar o que fazer, e por outro, vai dar ao doente uma sensação de segurança e de estabilidade.

De acordo com a psicóloga da Associação Alzheimer Portugal, é fulcral estar atento e cumprir todos os horários de medicação e de necessidades básicas, como o simples facto de levar a pessoa à casa de banho ou de lhe dar água para beber. “Quando detetar alguma alteração nas suas rotinas ou comportamento, como por exemplo, uma mudança nos hábitos alimentares, deve levar o doente ao médico para averiguar o que se passa”, alerta Ana Margarida Cavaleiro.

Manter a mente e o corpo ocupados é crucial num doente com Alzheimer. Existem diversas atividades que este pode fazer sem correr perigo, tais como dançar, cantar, jardinar ou caminhar, e que contribuem para uma melhor qualidade de vida, ajudando a controlar a agitação, depressão e frustração.

Tente encontrar tarefas e atividades que o doente goste e despertem o seu interesse. A psicóloga revela que “pensar no que a pessoa gostava de fazer anteriormente à doença ou quando era jovem pode ser um bom exercício para descobrir atividades interessantes e que o cativem”. Estas devem tirar o máximo proveito das capacidades do doente no momento presente e ajudar a sobressair as suas memórias, capacidades, hábitos e interesses para que se sinta socialmente integrado. No entanto, estas atividades têm de se adequar às capacidades da pessoa com demência, para evitar sentimentos de frustração.

Estabeleça uma comunicação eficaz com o  doente!

A comunicação ou falta dela pode ser um grande desafio tanto para o cuidador como para o doente. “Isto porque torna-se difícil compreendê-los mas também estes fazerem-se compreender”, explica a psicóloga. Como tal, é essencial que os cuidadores aprendam a comunicar e a lidar com estes doentes, de forma a melhorar a sua relação e a tornar o dia-a-dia menos stressante.

Ambientes muito confusos ou barulhentos podem assustar o doente e dispersá-lo do que estava a fazer. Procure minimizar o ruído ao máximo, por exemplo desligando a televisão ou o rádio, de modo a focar a atenção do doente no que lhe está a dizer. Para além disso, “deve dar tempo à pessoa para que ela consiga expressar o que pretende. Dê-lhe mensagens concretas, com palavras simples e frases curtas, e fale-lhe calmamente com um tom de voz suave”, aconselha Ana Margarida Cavaleiro.

Muitas vezes a atitude e a linguagem corporal são mais importantes que as próprias palavras, podendo utilizar por exemplo, expressões faciais e contacto físico para auxiliar a transmissão da sua mensagem. “Acima de tudo, é imprescindível tratar o doente de forma amável e com respeito”, sublinha a técnica.

 

Peça ajuda!

A prestação de cuidados é uma tarefa difícil para ser feita por uma única pessoa. Procure o auxílio de outros familiares, associações, como a Alzheimer Portugal, ou grupos de entreajuda. “Os cuidadores têm de ter noção de que não estão sozinhos, até porque vão chegar a um ponto em que não vão conseguir fazer tudo. Têm de perceber que não há problema em pedir ajuda e que existem pessoas disponíveis para os ajudar”, realça Ana Margarida Cavaleiro.

Para além disso, a pessoa que presta os cuidados ao doente com Alzheimer é, frequentemente, a única pessoa com quem ele contacta e que está a par da evolução da sua doença. Como tal, é importante que o cuidador ensine outras pessoas quais os cuidados a ter com o doente e a sua medicação, para que estas possam ajudar quando for necessário.

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