O que é o teste APGAR – Primeiro exame ao recém-nascido

Primeiro exame a ser feito ao recém-nascido é o teste Apgar, sabe em que consiste?

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Com toda a certeza que já ouviu falar do teste APGAR que é feito ao recém-nascido nos primeiros momentos de vida.

No caso de ser mãe, provavelmente até já terá comentado a “nota” atribuída ao seu filho. Mas afinal, como surgiu o teste APGAR, em que consiste e para que serve?

Muitas vezes chamado também de índice de vitalidade, o APGAR é a primeira “nota” atribuída ao bebé, logo ao primeiro minuto de vida, repetida depois ao quinto. Fica registada no seu boletim de saúde, pois reflete as condições de nascimento e muitas vezes, nos primeiros tempos, os pais comentam entre si qual o índice de APGAR (IA) dos bebés ao nascer. Saiba aqui um pouco da história, critérios e objetivo deste índice. 

História
Em 1953, a anestesista Virgínia Apgar deu o seu nome a um dos testes mais conhecidos hoje em dia, quando percebeu que na avaliação de um recém-nascido havia cinco parâmetros clínicos aos quais era necessário estar atento: a cor da pele, a respiração espontânea e a sua frequência, o choro e “irritabilidade” quando manipulado, o tónus (tensão muscular em repouso ou em actividade) e a frequência dos batimentos do coração.

O índice ou teste de APGAR avalia a vitalidade do bebé com base na verificação e pontuação de 5 parâmetros do recém nascido:

  • Frequência cardíaca;
  • Respiração;
  • Tónus muscular;
  • Irritabilidade reflexa;
  • Cor da pele.

Como é medido?

A cada um dos cinco parâmetros é atribuída uma pontuação entre 0 e 2 pontos. O valor máximo da pontuação é de 10, sendo importante fazer a avaliação pelo menos ao fim do 1º e do 5º minuto, mas podendo ser feito em qualquer momento após o nascimento. Assim, o 2 corresponde a uma pele com coloração rosada, uma frequência respiratória de 60 ou mais ciclos por minuto, no choro uma resposta vigorosa aos estímulos, no tónus a uma postura em flexão com boa tensão muscular e na frequência cardíaca a mais de 100 batimentos por minuto.

Para que serve o teste APGAR?
índice de APGAR avalia o bem-estar do recém-nascido e da análise e somatório destes cinco parâmetros, depende a necessidade e intensidade de prestação de cuidados e manobras de reanimação ao recém-nascido. Ao passo que IA ao 1º minuto reflete mais as condições do nascimento, ao 5º minuto espelha mais a existência de situações de stress ou “asfixia” no parto e como reagiu às medidas de reanimação.

O que significam os números?
Um IA inferior a 3 ao primeiro minuto ou inferior a 6 ao quinto minuto traduz dificuldade de adaptação do recém-nascido à vida extrauterina e necessidade de reanimação mais ou menos intensiva. O IA aos 5 minutos de vida é por isso de grande importância e quando abaixo de uma pontuação  6 tem um pior prognóstico futuro que outro acima desta pontuação.

Quanto mais baixo for mantido um IA depois dos 5 minutos do nascimento, maiores as probabilidades de existirem patologias por asfixia e, por conseguinte, maior mortalidade ou morbilidade com sequelas futuras de gravidade variável. A razão pela qual esta avaliação é tão importante é precisamente para poder tomar de imediato as medidas necessárias para evitar problemas imediatos ou futuros.

O teste de Apgar consegue prever problemas de saúde futuros no bebé?

A verdade é que não! Embora no passado muitos especialistas tenham acreditado que sim. Uma das teorias sugeria que se a nota de um recém-nascido permanecesse baixa aos cinco minutos de vida, isso podia indicar uma alta probabilidade de essa criança ter problemas neurológicos. Estudos mais recentes vieram a desmentir essa teoria e na actualidade, apesar de existirem opiniões divididas, não pode ser considerada uma fonte de diagnóstico correcta.

Convém também salientar que o índice de Apgar é utilizado fundamentalmente como um parâmetro e não própriamente como uma definição de prognóstico, ou seja, nos casos em que o bebé tenha um Apgar baixo, isso não significa necessariamente que esse bebé venha a ter problemas futuros. E vice-versa.

Fonte deste artigo: Jorge Azevedo Coutinho, pediatra neonatologista

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