Mal de altitude ou doença da altitude, o que é!

Mal de altitude ou doença da altitude, o que é!
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Quando falamos de mal de altitude ou doença da altitude estamos a falar de um distúrbio no organismo que é causado pela falta de oxigénio em altitudes elevadas.

Apesar de existirem diversas formas da doença, ela é ainda pouco conhecida pela maioria das pessoas. Trata-se de um problema de saúde que afecta pessoas que se deslocam para altitudes elevadas e até mesmo as pessoas saudáveis podem sofrer do mal de altitude quando fazem subidas rápidas acima dos 2000 metros, isso ocorre a muitos alpinistas que não fazem preparação e faseamento, podendo até desenvolver sintomas bastante graves quando ultrapassam os 2500 metros de altitude.

Quem continuar a ponderar a subida, deve ser ciente que corre o risco de sofrer um edema pulmonar, sendo um mal que acomete cerca de dois por cento das pessoas que ascendem a altitudes superiores a 4000 metros, assim como um edema cerebral hipóxico, embora seja menos comum, que tem como sintomas as cefaleias de aumento progressivo, sentir confusão mental, apatia, ataxia (falta de coordenação dos movimentos), entre outros sintomas de aumento da pressão intra-craniana como são os vómitos e perder a consciência.

Devem evitar subir acima dos 2000 metros de altitude todas as pessoas que possuem predisposição para a doença de altitude. Esta recomendação serve também para viajantes com antecedentes de enfarte agudo do miocárdio, angina instável, pessoas que tenham ou já tiveram alguma doença pulmonar, sobretudo doença obstrutiva crónica com enfisema, quem sofra de epilepsia não controlada, de doenças tromboembólicas e sobretudo pessoas com doença da altitude aguda já anteriormente registada.

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O que provoca o mal de altura?

O mal de altura é um problema resultante do fato de que em altitudes mais elevadas, a pressão do ar (pressão barométrica) diminui consideravelmente, havendo menos oxigénio no ar circundante. Para se poder estar confortavelmente em altitudes elevadas o organismo precisa se adaptar e fazer alguns “ajustes” e isso tende a demorar algum tempo e exigir preparação.

Esta patologia ocorre mais vulgarmente em pessoas que apresentam um historial prévio de doença da altitude. Ocorre com mais facilidade se a pessoa subir rapidamente, se fizer exercício físico vigoroso durante os primeiros dias em altitude elevada e se tiver vivido numa zona de baixa altitude antes de proceder à subida.

O fator obesidade é potenciador desta patologia e a genética também pode aumentar o risco em certas pessoas, principalmente no que respeita ao edema pulmonar da grande altitude.

Sintomas de doença da altitude:

Os sintomas que surgem na forma mais leve do mal de altitude são bastante parecidos com uma ressaca leve, ou seja, dores de cabeça, cansaço generalizado, náuseas, falta de apetite e dispneia. Estes sintomas aparecem normalmente no prazo de 4 a 12 horas após a escalada, podendo alcançar a plenitude durante 1 a2 dias para, depois abrandarem nos dias seguintes como sinal de aclimatização.

Enquanto o corpo se ajusta para se adaptar a uma altitude elevada, a pessoa tende a sentir alguns sintomas que são incómodos, contudo que não são motivo de preocupação. Estes sintomas são:

    • Respiração rápida,
    • Falta de ar com o exercício extenuante,
    • Pausas curtas ocasionais na respiração durante o sono
    • Micções mais frequentes que o habitual.

Os últimos dois sintomas são consequência de um nível baixo de dióxido de carbono, o que desencadeia ajustamentos no cérebro e nos rins.

Os sintomas mais graves são causados por níveis baixos de oxigénio no sangue e pelos consequentes ajustamentos realizados pelo sistema circulatório.

Diagnóstico doença da altitude:

A pessoa deve conseguir identificar os sintomas precoces do mal de altitude e ter atenção cuidadosamente a esses sintomas quando se encontra em risco, visto que a doença da altitude pode ter consequências muito graves.

No caso de as dores de cabeça forem o único sintoma, é recomendado que a subida seja suspensa e a pessoa tome um analgésico. Caso ocorra uma dor de cabeça que teima em desaparecer ou se o individuo sentir outros sintomas sugestivos de uma doença aguda da montanha, o diagnostico desta pode ser feito sem necessidade de exames complementares de diagnóstico.

O edema cerebral da grande altitude tende a provocar dificuldade na marcha em linha recta, assim como conduzir a alterações no pensamento, possíveis alucinações ou a uma alteração inexplicada da personalidade da pessoa.

No caso que uma pessoa apresente estes sintomas a uma altitude elevada, o mais provável é que essa pessoa esteja a sofrer de edema cerebral da grande altitude. Alguém com estes sintomas deve ser levado imediatamente para uma zona de altitude mais baixa e receber cuidados médicos.

Após a pessoa ser levada para um centro médico, poderá ser submetida a exames de imagem como a tomografia axial computorizada (TAC) ou a ressonância magnética nuclear por forma a confirmar a causa dos sintomas. Estes exames poderão revelar a presença de edema cerebral ou de outras lesões.

O reconhecimento deste problema pode não ser fácil nos seus estádios iniciais, isto porque a fadiga pode ser o seu único sintoma. Outros sinais que devem ser analisados com preocupação incluem a dificuldade em efectuar exercício, ter tosse seca, momentos de taquicardia e a falta de ar mesmo que em repouso.

Caso sejam medidos os níveis de oxigénio no sangue, estes são provavelmente inferiores ao esperado e uma radiografia do tórax pode também mostrar a presença de uma ou mais áreas dos pulmões com líquido acumulado, o que apresenta semelhanças a uma pneumonia.

Evolução clínica doença da altitude:

Caso a pessoa esteja a fazer a subida e não regresse ao patamar de altitude onde se sentia bem pela última vez, o mais provável é que os sintomas se agravem e as consequências podem ser graves.

Os sintomas da doença aguda da montanha tendem a desaparecer após2 ou 2 dias de descanso a uma altitude que a pessoa esteja habituada a lidar. Já os casos graves, como o edema cerebral ou o edema pulmonar da grande altitude, podem chegar a demorar semanas a desaparecer, sendo mesmo necessário que a pessoa seja submetida a cuidados médicos.

Prevenção da doença da altitude:

As mudanças faseadas na altitude ajudam o organismo a adaptar-se a um ambiente com níveis baixos de oxigénio e tendem a reduzir a probabilidade de sofrer com doença da altitude.

É importante reter que as pessoas possuem velocidades diferentes de adaptação, visto que os organismos são todos diferentes, porém há 4 orientações gerais importantes a ter em conta para subir acima dos 3.000 metros de altitude pelas pessoas que sobem:
– Não aumentar a altitude mais de 300 metros por cada noite
– Em cada incremento da altitude em1.000 metros, deve passar uma segunda noite a esse nível antes de continuar a subir.
– Reduzir o esforço físico para níveis considerados razoáveis durante os primeiros dias de subida.
– É importante ingerir bastantes líquidos aquando a exposição à altitude elevada.
– Evitar ao máximo o consumo de álcool, já que uma bebida alcoólica consumida num local elevado aparenta ter o dobro do efeito.
– Procurar fazer refeições mais frequentes e o mais leves possível, ou seja, comer pouco de cada vez mais muitas vezes.

Caso alguém apresente sinais precoces de doença da altitude, devem procurar evitar que agravem interrompendo imediatamente a subida.

Os medicamentos não são suficientes para prevenir as formas graves de doença da altitude.

Tratamento da doença da altitude:

O primeiro passo a dar no que respeita ao tratamento consiste em desistir da subida e, caso os sintomas se mantenham após o descanso, descer logo que possível. Depois de descer, os sintomas da doença da altitude elevada tendem a melhoram rapidamente. Caso isso não ocorra, deve ser investigada a causa.

Caso a pessoa denote sintomas mais graves ou sintomas de edema cerebral da grande altitude, de edema pulmonar da grande altitude ou visão turva, deve ser levada para uma altitude mais baixa o mais rápido possível. Caso não o faça e fique na altitude em que sentiu os sintomas ou se continuar a subir, os sintomas vão certamente agravar-se podendo ter consequências muito graves.

Quando haja disponibilidade, os sintomas podem ser melhorados rapidamente com recurso a uma câmara hiperbárica portátil. Este equipamento simula a descida para uma altitude mais baixa enquanto não seja possível o transporte da pessoa para uma altitude mais baixa.

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Diferentes doenças da altitude 

Doença aguda da montanha

Dos entre os diversos tipos de doença da altitude, a doença aguda da montanha é a menos perigosa. Este problema de saúde afecta cerca de 50% das pessoas que sobem desde o nível do mar para mais de 4.000 metros sem fazerem paragens programadas para descansar.

A doença aguda da montanha normalmente acarreta sintomas após 8 a 36 horas da exposição a grande altitude, os sintomas comuns são:
– Dores de cabeça que não são aliviadas com medicamentos analgésicos
– Náuseas e vómitos
– Tonturas ou vertigens
– Fraqueza ou fadiga
– Dificuldade para dormir
– Perda do apetite.

Doença crónica da montanha (doença de Monge)

A doença crónica da montanha surge de forma bastante gradual, pode ser ao longo de vários meses ou anos em indivíduos que vivem em grandes altitudes.

Os sintomas da doença crónica da montanha incluem a falta de ar, a letargia, muitas dores e desconfortos. Podem surgir coágulos sanguíneos nas pernas e nos pulmões, assim como insuficiência cardíaca. A doença surge quando o organismo exagera na compensação da falta de oxigénio através da produção excessiva de eritrócitos (glóbulos vermelhos). A pessoa acometida tende a ficar incapacitada e pode mesmo falecer caso não seja levada com urgência para uma altitude mais baixa.

Edema cerebral da grande altitude

O edema cerebral da grande altitude é em suma a forma extrema de doença aguda da montanha. Este quadro surge normalmente após os sintomas da doença aguda da montanha.

Os sintomas desta forma mais grave da doença aguda da montanha podem não ser percebidos de imediato, já que a doença poderá surgir durante a noite. Visto que esta lesão causada pelo nível baixo de oxigénio afecta o cérebro, uma pessoa acometida por edema cerebral da grande altitude poderá não conseguir entender se os sintomas se tornam mais graves, sendo por normal algum companheiro de viagem que se percebe pelo comportamento diferente do habitual.

Os sintomas de edema cerebral da grande altitude costumam incluir:
– Agravamento das dores de cabeça e dos vómitos
– Marcha cambaleante
– Confusão mental
– Exaustão
– Alucinações visuais (ver coisas que não são reais)
– Alterações na capacidade para pensar
– Alterações no comportamento normal
– Coma (nos casos avançados).

Edema pulmonar da grande altitude

Uma outra vertente grave é o edema pulmonar da grande altitude, que pode surgir com ou sem sintomas de alerta. Nos casos de edema pulmonar da grande altitude, ocorre uma acumulação de líquido nos pulmões.

A concentração reduzida de oxigénio pode chegar a provocar uma contracção dos vasos sanguíneos dos pulmões, com diminuição do seu calibre, levando a uma elevação da pressão nas artérias pulmonares. Como resultado, surge a passagem de líquido dos vasos sanguíneos para os pulmões. Os sintomas do edema pulmonar da grande altitude costumam surgir com mais frequência durante a noite e tendem a se agravar com o esforço.

Os sintomas mais comuns de edema pulmonar da grande altitude são:

– Sensação de aperto no peito ou de plenitude torácica
Fadiga extrema
– Falta de ar, mesmo em repouso
– Coloração azul ou acinzentada dos lábios e das unhas das mãos (cianose)
– Tosse, que pode acompanhar-se de expectoração espumosa e rosada
– Febre (temperatura superior ao normal mas inferior a 38,3ºC)
– Respiração ruidosa, semelhando sons de gorgolejo.

Hemorragia retiniana

Pode surgir, como problema de altitude, a denominada hemorragia retiniana da grande altitude, que pode provocar lesões oculares. Esta surge com ou sem os sintomas de doença da altitude. De um modo geral, acaba por passar despercebida, a menos que a área do olho responsável pela visão mais detalhada (a mácula) esteja envolvida. A visão turva constitui o sintoma principal da hemorragia retiniana da grande altitude.

Coagulação

A uma elevada altitude a produção de glóbulos vermelhos aumenta devido à falta de oxigénio, provocando no sangue um espessamento que pode causar coágulos sanguíneos.

Ataxia

Denota-se pela perda de coordenação e equilíbrio causada pela falta de oxigénio em altitudes.

Lesões pelo frio

As lesões provocadas pelo frio como a hipotermia, situação em que todo o corpo arrefece, atingindo temperaturas potencialmente perigosas, o congelamento parcial, ou seja, quando partes do corpo ficam superficialmente danificadas, e o congelamento, em que alguns tecidos corporais ficam completamente destruídos. A excessiva exposição ao frio também provoca frieiras e pé-de-imersão.

As lesões provocadas pelo frio, geralmente, não se manifestam, nem sequer em climas extremamente frios, se a pele, os dedos das mãos e dos pés, as orelhas e o nariz estiverem bem protegidos e não ficarem expostos ao ar durante muito tempo.

No entanto, quando a exposição é mais prolongada, o organismo estreita automaticamente os pequenos vasos sanguíneos da pele e dos dedos das mãos e dos pés, das orelhas e do nariz para canalizar mais sangue para os órgãos vitais como o coração e o cérebro. Em consequência disso, estas partes do corpo recebem menos sangue quente, e arrefecem com maior rapidez.

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Hipotermia

A hipotermia surge assim que o corpo perder calor mais rápido do que repõe. O ar frio, frequentemente o vento, pode retirar calor do corpo por convecção. Permanecer sentado e imóvel durante algum tempo sobre o chão frio ou uma superfície metálica ou com roupas molhadas faz com que o calor do corpo passe para a superfície mais fria por condução. O calor pode ser perdido pela pele exposta, especialmente da cabeça, por meio da radiação e da evaporação do suor.

A hipotermia frequentemente ocorre quando uma pessoa é imersa em água fria e quanto mais fria a água, mais rápido o desenvolvimento da hipotermia. O início da hipotermia passa facilmente desapercebido durante um longo período de imersão na água que não parece estar muito fria, mas que retira calor do corpo.

O início da hipotermia costuma ser tão gradual e subtil que tanto a vítima, como os outros, não se apercebe do que está a suceder. Os movimentos tornam-se lentos e entorpecidos, o tempo de reacção é mais lento, a mente turva-se, a pessoa não pensa com clareza e tem alucinações.

Quem sofre hipotermia pode cair, andar sem destino fixo ou, simplesmente, deitar-se para descansar e até morrer. Se a pessoa se encontrar na água, move-se com dificuldade, pouco depois desiste e, finalmente, afoga-se.

Resta recordar que a melhor forma de evitar Mal de altitude ou doença da altitude é fazer a subida de forma faseada para dar tempo ao seu organismo de se adaptar.

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