O que é Pilates, como fazer e como evoluir o exercício e o autoconhecimento

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Combinando conhecimentos de várias áreas, o método de Pilates ganhou nome e consagrou-se, sendo praticado atualmente por milhões de pessoas, um pouco por todo o mundo. Veja como funciona, quem o pode praticar e quais os benefícios do Pilates.

O método de Pilates vai buscar o seu nome a Joseph Pilates, um autodidata de saúde débil, que fez questão de aprender as mais diversas técnicas de exercício, por forma a melhorar a sua condição física. Nascido na Alemanha, em 1883, a história de Joseph Pilates correu o risco de ser uma história curta, votada ao esquecimento.
Mas a determinação de Joseph Pilates, o seu trabalho de pesquisa, que o colocou em contacto com diferentes artes marciais e com o Yoga, e até o tempo que dedicou às suas descobertas durante o cárcere (esteve preso em Inglaterra na sequência da Primeira Grande Guerra), contribuíram para que quase um século depois a técnica de Pilates tenha encontrado adeptos um pouco por todo o mundo.

Entre os méritos atribuídos a este método destaca-se a maior consciência corporal que a prática nos dá. Com esse maior conhecimento que resulta da prática regular, os praticantes de Pilates vão aprendendo a corrigir falhas de postura, a trabalhar a flexibilidade e a melhorar a eficácia dos movimentos. Podemos acrescentar a isto que, bem executada e orientada, não só não traz impactos nocivos para as articulações, ligamentos e musculatura, como contribui para uma melhoria geral. Trabalha-se a relação mente-corpo e aos poucos as melhorias vão contribuindo para o bem-estar da pessoa.

O que é Pilates
Maria José Magalhães é instrutora desta técnica e explica-nos que “Joseph Humbertus Pilates foi persistente na procura, prática e compreensão de diferentes técnicas de movimento. Essa procura levou não só a curar-se, pois era frágil e franzino na infância, mas também a criar um método de exercício inteligente”. Mas uma das grandes marcas do legado do Pilates residirá no facto de a técnica não ser estanque e repetitiva.

Pilates definiu os princípios da técnica. Chamou-lhe inicialmente Contrologia, preservando a ideia de que para “controlar o corpo é necessário conhecê-lo, para o conhecer é necessário dar atenção a todas as sensações e emoções, até as mais subtis”, como nos revela Maria José Magalhães. E foi a partir daqui que a técnica se desenvolveu – num processo que de certa maneira ainda decorre atualmente.

Aprender a evoluir no Pilates

O método criado por Pilates não se centrava em exercícios padronizados, servidos como uma receita que se mantinha inalterada de sujeito para sujeito. Pelo contrário, tinha mesmo um cunho claro de individualidade. Pilates definiu uma série de exercícios de treino e até material de equipamento, que permitiriam trabalhar o corpo humano de diversas formas. E isto mostra-nos até que ponto Pilates fazia questão de mudar os exercícios consoante as pessoas que o visitavam – e até porque foi entre bailarinos, que faziam do corpo carreira e arte, que se encontravam alguns dos primeiros praticantes. Mas a história desta técnica vai além do seu criador.

Foram poucos os alunos que puderam aprender com o próprio mas o percurso destes aprendizes que entretanto se haviam tornado mestres neste método, marca indelevelmente o percurso da técnica muito para lá da morte do seu criador. Joseph Pilates escreveu dois livros sobre o método, formou pessoas capazes de prosseguir os seus ensinamentos, mas não deixou nenhum modelo definido.

É por isso que hoje em dia, embora os princípios de Pilates se mantenham próximo das ideias originais de Joseph Pilates, o método que ganhou o seu nome continuou a desenvolver-se, dando origem a um número crescente de exercícios, criados e aplicados em função das necessidades de cada participante. O que talvez nos ajude a entender porque é que hoje em dia este método pode trazer benefícios aos mais diversos níveis.

A instrutora de Pilates especifica que o método é excelente “na recuperação e prevenção de lesões osteoarticulares e respiratórias; no pré e pós parto; na diminuição da ansiedade e stress; na manutenção de um corpo funcional na terceira idade; mas também como complemento desportivo [por exemplo, para atletas de alta competição], de melhoria da performance e na correção postural e de desequilíbrios musculares e na prevenção de osteoporose”.

É também uma técnica reconhecida no tratamento e prevenção de problemas na coluna vertebral, já que, como nos explicava e aconselhava o instrutor Frederico Figueiredo num Saúde em Conversa dedicado às dores nas costas, a prática regular permite restabelecer “o espaço entre as vértebras, diminuindo os espasmos musculares, melhorando a típica sensação de formigueiro pelo braço ou perna, uma vez que faz a pessoa movimentar o seu corpo aumentando a circulação sanguínea e linfática”.

 

Como começar a fazer Pilates

Como plano de treino, o Pilates utiliza o peso do próprio corpo, baseando-se na anatomia humana. O objetivo é fortalecer os músculos que rodeiam e suportam o tronco, ao mesmo tempo que se toma uma maior consciência dos movimentos que a nossa estrutura músculo-esquelética consegue fazer. Atualmente o Pilates é já um método famoso, mas o seu sucesso deve-se também à facilidade com que se adapta a cada praticante.

O método de Pilates pode ser aplicado individualmente ou em pequenas aulas de grupo. Maria José Magalhães explica-nos que “há várias possibilidades para começar a prática de Pilates. Pode inserir-se numa aula de grupo para iniciantes ou optar por treino personalizado. Na primeira vai demorar algum tempo a aprender o básico. No treino personalizado para além de ser muito mais rápida a aprendizagem é também programado especificamente para as necessidades e vontades da pessoa e adaptado momento a momento”.

Um dos fatores curiosos da prática é o facto de nos colocar perante alguns erros simples que cometemos no nosso dia-a-dia, muitas vezes sem nos apercebermos de que o estamos fazer. A instrutora assegura que “todos beneficiam com a aprendizagem do movimento otimizado. Em ações de esforço o humano tem tendência a contrair músculos que não acrescentam eficácia, gastando mais energia que a necessária, ou a adotar posturas erradas, mesmo com o risco de lesão”. Frederico Figueiredo explica-nos ainda que “antes de começar a praticar, os instrutores certificados devem fazer uma avaliação para conhecerem o nível de aptidão física inicial do seu cliente, no que diz respeito a postura, composição corporal, força, resistência muscular e flexibilidade”.

Trata-se de perceber exatamente o que está em causa, e o que se pode melhorar através de exercícios. O tipo de exercício, o número de repetições e até a intensidade dos exercícios poderá variar. Em situações de doença ou de condição física em que o clinico desaconselhe exercício, o Pilates pode ser contraproducente. E é natural algum dos exercícios possa causar maior dor ou desconforto momentâneo. Mas a grande força do Pilates está precisamente na forma como se adapta a cada pessoa. E como permite que cada pessoa fique a conhecer um pouco melhor o seu corpo.

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