Gengivite, sintomas, causas e prevenção

Gengivite, uma inimiga discreta mas nociva

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Pode achar que ter as gengivas avermelhadas e inflamadas é um problema menor, mas não é. A gengivite é a primeira fase da doença periodontal que, sem tratamento, progride para sintomas e consequências mais sérias. Prevenir e tratar a tempo é essencial.

Quando se pensa em saúde oral, tende-se a pensar apenas nos dentes, mas as gengivas também devem ser cuidadas. A higiene oral – escovagem dos dentes e limpeza com fio dentário – destina-se não só a manter os dentes saudáveis como também as estruturas que os suportam: as gengivas.

A prevenção da Gengivite, sob forma de uma boa higiene e idas frequentes ao dentista, é não só uma forma de evitar cáries, como também uma forma de evitar uma patologia que pode ter consequências graves: a doença periodontal. Esta é uma doença inflamatória que atinge os tecidos de suporte (gengiva) e sustentação (ligamento periodontal e osso) dos dentes.

Numa fase mais avançada caracteriza-se pela perda do ligamento periodontal e pela destruição do tecido ósseo adjacente. Um processo que, se não for travado, pode culminar na perda dos dentes da região afetada. “Se não tratada a doença periodontal progride e podem detetar-se outros sinais como retração gengival, sensibilidade dentária, sensação de ardor e dor nas gengivas, mau sabor, mau hálito, mobilidade dentária e separação dos dentes”, alerta o médico dentista Coimbra de Carvalho.

Mas tudo começa, por norma, por um conjunto de sintomas mais discretos, mas que não devem ser ignorados como “o sangramento espontâneo ou após a escovagem dentária, avermelhamento e as gengivas inchadas”, refere o médico dentista. Tudo sintomas que tendem a ser negligenciados mas que não são normais.

“A gengivite é uma doença periodontal, ou seja, é uma doença que ataca o periodonto que é formado pela gengiva, ligamento periodontal e osso alveolar. É a fase inicial da doença, totalmente reversível com uma correta higiene e profilaxia profissional, cuja principal causa é a acumulação de placa bacteriana na superfície justa gengival dos dentes, existindo inclusive uma relação direta entre a quantidade de placa bacteriana acumulada e a severidade da gengivite.”

Por outro lado, a periodontite é a fase avançada da doença periodontal que se estende ao ligamento periodontal e ao osso alveolar, sendo a principal causa da perda de dentes nos adultos. “Trata-se de uma patologia bacteriana que origina destruição do periodonto, seja por ação direta das bactérias, seja pela própria resposta imunitária do organismo. Como resultado, a gengiva inflamada descola-se da superfície dentária formando as chamadas bolsas periodontais, às quais é praticamente impossível aceder com técnicas de higiene básicas”, explica Coimbra de Carvalho.

A deteção precoce da gengivite e respetivo tratamento são por isso extremamente importantes, sendo necessária ajuda profissional para realizar um diagnóstico e plano de tratamento correto. Por fim, é ainda importante saber que a doença além de ter consequências nefastas para a saúde oral, pode ainda implicar maior risco de outros completas de saúde: “está mais que provado que a doença periodontal aumenta o risco de problemas como enfarte, AVC, doenças pulmonares e até problemas na gravidez, fazendo com que o bebé nasça prematuramente ou abaixo do peso normal.”

 

Da próxima vez que notar a gengivas avermelhadas ou um pequeno sangramento ao escovar os dentes, por muito sem importância que lhe pareça, não ignore!

 

Fatores de risco para a inflamação das gengivas

– Predisposição genética. Todos temos uma grande diversidade de bactérias na boca, umas são benéficas, outras são cariogénicas (provocam cárie), outras provocam doença periodontal. A saúde bucal depende não só da quantidade de bactérias mas também do equilíbrio entre as diferentes espécies bacterianas ou seja há pessoas que tem predisposição genética para a doença periodontal porque associado ao seu ADN (código genético) está implícita a existência de um maior número de espécies bacterianas com potencial de destruição periodontal. O mesmo se passa para a cárie. Uma curiosidade interessante é que as pessoas propensas a doença periodontal são mais resistentes à cárie e vice-versa.

Acumulação de placa bacteriana por deficiente higiene buco-dentária (técnica deficiente de escovagem dentária, falta de controlo periódico no dentista para destartarizações periódicas consoante a necessidade de cada um).

– Dentes desalinhados que propiciam a acumulação de placa bacteriana e por outro lado dificultam a sua correta remoção durante a escovagem dos dentes.

– Obturações dentárias deficientes (pontos de contacto deficientes, obturações com excessos, obturações ásperas).

–  Dentaduras desadaptadas e/ou mal limpas.

– Aparelhos de ortodontia porque facilitam a retenção de placa bacteriana e de certa forma dificultam a sua remoção. É preciso usar alguns truques e ser persistente para higienizar corretamente os dentes.

– Deficiências nutricionais, como a deficiência de vitamina C, encontrada sobretudo em alguma fruta e legumes frescos e crus.

– Tabaco, diabetes, baixa imunidade e alguns medicamentos (como antiepilépticos e alguns anticoncepcionais.

– Idade avançada.

– Alterações hormonais como as que ocorrem durante a gravidez (gengivite gravídica) ou puberdade.

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