Genes de autismo associados a maior inteligência

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Um estudo internacional concluiu que as alterações de ADN que tornam uma pessoa propensa a desenvolver autismo – transtorno mental que afeta a sociabilidade e comunicabilidade – estão associadas a uma maior inteligência.

O autismo é um distúrbio do desenvolvimento que pode causar dificuldades a nível da linguagem e da fala. A inteligência não-verbal permite a resolução de problemas complexos através de competências de raciocínio que requerem muito pouco uso da linguagem ou mesmo nenhum.

Os autores do estudo realizado nas universidades de Edimburgo, na Escócia, e de Queensland, na Austrália, afirmam que, embora até 70 por cento dos indivíduos com autismo apresentem uma disfunção cognitiva, alguns dos pacientes com a perturbação revelam uma inteligência não-verbal superior à média.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores avaliaram cerca de 10 mil pessoas que vivem na Escócia, as quais foram submetidas a testes para determinar a sua competência cognitiva e as caraterísticas de ADN.

Foi, assim, descoberta uma associação entre as pessoas que nunca tinham desenvolvido autismo e apresentavam traços genéticos associados ao distúrbio e a obtenção de resultados um pouco superiores nos testes cognitivos.

As equipas de investigação observaram a mesma associação entre genes ligados ao autismo e a inteligência nos resultados dos mesmos testes realizados a 921 adolescentes australianos que tinham participado num estudo sobre gémeos.

No comunicado da Universidade de Edimburgo, Toni-Kim Clarke, da Divisão de Psiquiatria da Universidade de Edimburgo e autor principal do estudo, explica que estas “descobertas demonstram que a variação genética que aumenta o risco para o autismo está associada a uma melhor competência cognitiva em indivíduos não-autistas. À medida que começamos a compreender o impacto exercido pelas variantes genéticas associadas ao autismo na função cerebral, talvez possamos começar a perceber melhor a natureza da inteligência autista”.

Por sua vez, Nick Martin, do Instituto de Queensland para a Investigação Médica, na Austrália, admite que “já se suspeitava da associação entre o autismo e uma melhor função cognitiva”. Mas agora, “este estudo sugere que os genes do autismo podem na realidade conferir, em média, uma pequena vantagem àqueles que os expressam, desde que não sejam afetados pelo autismo”.

O estudo internacional foi publicado na revista Molecular Psychiatry.

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