Hortas Urbanas, a tranquilidade pelas nossas mãos

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As pequenas hortas, caseiras e comunitárias, estão cada vez mais em voga. São um agrado à vista, sinónimo de alimento, criatividade, tranquilidade e até saúde.

As hortas caseiras e comunitárias são uma tendência que se tem afirmado em Portugal como resultado da crescente migração do campo para as cidades dos últimos anos, dando origem ao aparecimento destas hortas improvisadas em espaços pequenos.

Em Portugal, as hortas de varanda e quintal têm como objetivo produção para utilização e consumo próprio, servem como um acréscimo alimentar para a família (e até livre de químicos e pesticidas!) e como ótima desculpa para ter uma atividade de tempos livres anti-stress que embeleza a casa e contagia com tranquilidade.

hortas urbanas

Lá fora, há vários anos que as hortas caseiras e comunitárias já são costume, principalmente nos Estados Unidos da América e no norte da Europa, onde é habitual a cedência e partilha de terrenos para cultivo, sendo também frequentes os incentivos da administração local à agricultura sem químicos.

Seja qual for o tipo de horta facilmente se pode tornar num espaço de lazer e aprendizagem. Nas hortas conjuntas o espaço verde torna-se também num espaço de convívio, estimulando práticas saudáveis e ligação com a comunidade.

 

A vertente terapêutica das Hortas Urbanas

Foi Sócrates quem primeiro documentou a horticultura ligada à saúde, mas foi Benjamim Rush, um dos assinantes da Declaração da Independência dos EUA e considerado o pai da psiquiatria americana, que começou a documentar os benefícios da jardinagem nos seus doentes mentais nos anos 50, demonstrando que esta terapia simples promovia inúmeros benefícios para a saúde, principalmente em questões emocionais.

Desde então, a horticultura começou a ser usada como meio terapêutico para ajudar em situações como depressões, distúrbios emocionais e mesmo casos de agressividade, entre outros.

Usar a jardinagem para mudar a vida!

Vários estudos comprovam já os efeitos terapêuticos do contato com a agricultura em pequena escala e, por essa razão, continuam a ser criados programas de reabilitação através da agricultura para pessoas com problemas comportamentais, para doentes com depressão, com problemas de abuso alcoólico e na área da geriatria, entre outros.

Um exemplo de sucesso é o centro de reabilitação juvenil em Southwestern Ohio (EUA) que têm como prática a terapia através da horticultura com resultados muito positivos na reabilitação dos participantes. A prática ajuda-os a aprender a se percecionarem de forma mais positiva, ajuda-os a controlar os seus problemas emocionais e comportamentais, desenvolvendo subtilmente capacidades de cooperação, gratificação não imediata e, como consequência, de controlo de ansiedade.

Noutras palavras, existe um paralelo entre a jardinagem e a própria vida, as pessoas aprendem a esperar e a preparar momentos essenciais, sendo graciosamente obrigados a planear o futuro. Este tipo de atitude naturalmente exigida pela jardinagem requer maturidade e sabedoria, sendo por isso a jardinagem uma forma de estímulo e impulso positivo no sentido de auto controlo e do desenvolvimento.

 

Crescimento da tendência das Hortas Urbanas

A tendência das horas comunitárias e caseiras continua a crescer em Portugal à medida que se verifica uma maior consciência ambiental e preocupação com a saúde.

A nível nacional existem estímulos de várias autarquias e empresas como a Biosite e a Gulbenkian que impulsionam a reabilitação de espaço e a requalificação urbana através de incentivos como a disponibilização de terrenos para cultivo e formações em horticultura gratuitas para quem tiver interesse em tornar o seu pequeno jardim numa fonte de subsistência promovendo a eco sustentabilidade e auto subsistência, potenciando a biodiversidade e a estrutura ecológica da sua zona e ainda contribuindo para a divulgação e contágio de espaços verdes inovadores.

“As hortas urbanas são encaradas como prática sustentável em termos energéticos porque resulta na redução da pegada ecológica dos alimentos: por um lado, incentiva o consumo de produtos sazonais e por outro, dispensa o transporte de bens alimentares de locais mais distantes”, explicam-nos no sítio das Hortas de Cascais.

No mesmo site pode ler-se ainda que “Em termos de ecologia urbana, este tipo de agricultura tem a vantagem de promover a biodiversidade e a implementação de mais espaços verdes nas cidades, com todas as vantagens que lhe estão associadas”.

“As hortas urbanas existem já um pouco por todo o país. Um dos exemplos de maior envergadura é o “Horta-à-porta” no Porto, onde, em terrenos cedidos pela Lipor, a empresa intermunicipal de tratamento de resíduos, funcionam 17 áreas de hortas, contando a lista de espera mais de 1900 pessoas.

Entre outros destacam–se ainda projetos na Alta de Lisboa, financiado pela Gulbenkian, no Instituto Politécnico de Coimbra, na Universidade do Minho, no Funchal, em Lagos ou em Odivelas. De talhões a varandas, parapeitos, terraços e pátios, qualquer pequeno canteiro pode dar-nos o prazer de criar alfaces, tomates ou ervas aromáticas”, dá conta o artigo do Jornal I sobre as hortas urbanas.

Existe ainda o projeto “Plantar Portugal” que consiste em incentivar o cultivo e a promover as atividades de quem o faz através de pequenos encontros e de feiras de produtos biológicos. Este projeto tem como objetivo contribuir para a conservação da natureza, biodiversidade e uso racional dos recursos naturais, através da valorização das Florestas, Agricultura e Meio Ambiente.

A tendência das pequenas hortas comunitárias e caseiras parece que veio para ficar. Respondendo a duas vertentes essenciais de comunidade e saúde, a horticultura deixou de ser só a produção maciça de alimento para passar a ser uma forma de lazer, convívio e fonte de tranquilidade e compaixão para com as pessoas e ambiente.

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