A doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer
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A doença de Alzheimer (DA) é a causa mais frequente de demência na Europa Ocidental e Estados Unidos da América desde há cerca de 20 anos. Entre nós é pouco falada, daí a necessidade de saber identificá-la para que melhor possamos lidar com os seus efeitos.

A doença de Alzheimer foi, pela primeira vez, descrita em 1906 numa reunião da German Society of Alienists, na cidade de Tubigen, por Aloïs Alzheimer. A doente era uma mulher de 51 anos de idade que apresentava um quadro clínico de alucinações, desorientação e demência progressiva no decurso de cinco anos.

O modo de apresentação da doença tem sido comum a outras causas de deterioração mental, quer metabólicas, hormonais ou estruturais, que afectam o cérebro do homem.

Ao contrário do que se pensava, a doença não afecta apenas os indivíduos de idade avançada, mas também o grupo etário dos 50 anos, admitindo-se assim o desaparecimento do conceito de senilidade associado a esta doença.

Sintomas e suas manifestações

O conceito de demência, onde estão incluí-dos os sintomas que englobam também a doença de Alzheimer, definem-se como uma espécie de deterioração mental progressiva, afectando sobretudo a memória imedia-ta e recente, segundo uma progressão do mais actual para o mais antigo, do mais complexo para o mais simples e do menos organizado para o mais elaborado. Nota-se, sobretudo, uma dificuldade na apreensão de novo material, pela incapacidade de reter novas experiências, e pela frequência crescente com que se esquecem nomes, números de telefone, moradas, etc.

Em estádios mais avançados, os doentes não se lembram sequer do que fizeram no dia anterior, esquecem as divisões da própria casa, perdem-se nas redondezas desta, e entram numa desorientação espacial, muitas vezes não compreendendo e negando os seus défices. Para além disso, o discurso é pobre, acompanhado habitualmente de agitação ocupacional sem objectivos, levando os doentes a uma actividade permanente de mexer e remexer, fazer e desfazer, levantar e sentar, num frenesim continuado e sem qualquer rendimento.

A incapacidade de reflectir sobre o seu próprio comportamento, leva à emergência de sentimentos, pensamentos e acções inapropriadas, com comportamentos infantis, incontinência esfincteriana e labilidade emocional.

Outras formas de demência

O decurso da doença de Alzheimer é, por vezes, mais lento e subtil, verificando–se apenas uma alteração no sentido da caracterização grotesca das peculiaridades pessoais: «O firme de carácter torna-se estupidamente obstinado, o prudente desconfiado ou o poupado avaro».

Embora sendo a mais frequente, a doença de Alzheimer é apenas uma das inúmeras causas de défice mental progressivo: a doença vascular do cérebro, as infecções, os tumores, traumatismos, os estados deficitários, bem como as intoxicações de onde sobressaem o alcoolismo crónico e a polimedicação – em especial no doente idoso –, são causas de demência.

Estudos epidemiológicos em larga escala no Canadá, China, EUA e Europa demonstraram que esta doença afecta uma vez e meia mais os indivíduos do sexo feminino, sendo de notar a existência de outros factores de risco já identificados.

Julga-se que os indivíduos com diferenciação intelectual mais elevada, os que tomaram anti-inflamatórios durante longos períodos de tempo e as mulheres que utilizaram anticonceptivos orais estarão mais protegidos.

O tratamento é multidisciplinar, tendo sempre presente o conceito de demência reversível, por correcção da doença que lhe deu origem, e irreversível como é o caso do Alzheimer, que evolui mais ou menos rapidamente para a incapacidade ou para a estabilização, até que uma nova complicação as possa descompensar.

doença de Alzheimer

Factores de risco já identificados:
• Idade
• História familiar de DA
• Apoliproteína E4
• Traumatismos cranianos
• Baixo índice intelectual
• Hipertensão arterial
• Mongolismos

Importância dos factores psicológicos e sociais

Os factores psicológicos e sociais têm um papel importante na expressão dos sintomas, sendo a acção médica a este nível essencial, aconselhando os familiares a encontrar a melhor solução social, agindo nos factores acessíveis, prevenindo assim os acidentes e situações de stress, evitando os erros terapêuticos.

A família deve ser informada da natureza da doença e sua evolução e, com a ajuda de técnicos especializados, tentará restaurar as funções perdidas e reduzir a dependência, bem como preservar e utilizar as capacidades residuais do doente. É necessária a compreensão das suas atitudes, permitindo assim evitar situações de conflito.

Actualmente, no que concerne à terapêutica medicamentosa, existem fármacos que interferem com a produção de acetilcolina no cérebro, permitindo a estabilização da doença, atrasando assim a dependência de terceiros para a vivência do quotidiano.
No chamado «mundo desenvolvido», quanto maior for a esperança de vida, maior será a prevalência da doença de Alzheimer.

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