O que é a psicologia? Para que serve o psicólogo?

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Sabe para que serve um psicólogo e a psicologia?

A psicologia é uma área que geralmente suscita grande interesse e curiosidade nas pessoas. Por meio de programas de televisão, de séries, de filmes, de revistas, livros e conversas, as pessoas formam uma opinião sobre o que é a psicologia e sobre a profissão de psicólogo.

Mas será que sabem mesmo o que é a psicologia? Será que estão esclarecidas sobre o que é que um psicólogo faz e para que serve a psicologia na prática? Humn, tenho algumas dúvidas.

Embora seja frequente ouvirmos opiniões e informações sobre a psicologia daqui e dali, muitas dessas informações não estão corretas e levam a crer que a psicologia e os psicólogos só servem para dar umas dicas sobre como viver a vida, sobre como se devem educar as crianças ou então a ideia de que os psicólogos são aqueles tipos que dizem “hum hum” enquanto o cliente está deitado num divã a falar sobre a infância.

Só-que-não, estas ideias não são mais do que estereótipos criados pela indústria do entretenimento. A psicologia é muito mais complexa e necessária do que estas ideias simplistas.

para que serve o psicólogo

O interesse em estudar a natureza e o comportamento humano, já vem desde há muito tempo. No século V a.C. os filósofos gregos, Platão e Aristóteles começaram a questionar-se acerca do funcionamento da memória, da aprendizagem, do pensamento, da perceção e do comportamento anormal.

Muitos anos mais tarde, a psicologia foi, aos poucos, reivindicando uma identidade própria e a tornar-se independente da Filosofia. A Psicologia começou assim a converter-se numa ciência.

Mas o que pretendo aqui não é vos dar uma seca com explicações sobre História da Psicologia, mas sim responder à questão “o que é a psicologia?”, mas mais importante do que isso, responder às questões “mas afinal para que serve a psicologia? e o que fazem os psicólogos?”

Lembrei-me de escrever sobre este tema no blog porque alguns dias atrás estava eu no café quando oiço a rapariga da mesa ao lado a dizer “Eu odeio a psicologia, acho a psicologia mesmo estúpida!”. Não, não tenho o hábito de ouvir conversas alheias, mas neste caso não resisti à tentação de apurar bem os ouvidos não fosse eu ter percebido mal.

Mas não, a rapariga insistiu e começou a argumentar com os amigos o porquê de ela achar isso. Todos os argumentos que ouvi da parte dela são mitos e vou falar sobre eles mais abaixo. Eu simplesmente não queria acreditar no que estava a ouvir e até ponderei mesmo perguntar “À rapariga mas o que é que a psicologia te fez de mal??”.

Mas afinal o que é isso de Psicologia?

A psicologia não é apenas o estudo do comportamento humano, como se ouve falar por aí. A psicologia estuda os processos mentais, o comportamento e a relação entre os dois. Os processos mentais incluem competências como a memória, a aprendizagem, o raciocínio, a emoção, a linguagem, a sensação, a percepção a motivação. Estes processos mentais não são visíveis, ao contrário do comportamento que é observável  e define-se pela interação que o indivíduo estabelece com o meio.

A psicologia é de facto uma ciência e que nada tem a ver com leitura da mente, astrologia, outras pseudociências, esqueçam lá isso!

A psicologia é também uma área distinta da psiquiatria, da psicanálise, da sociologia, da parapsicologia e da filosofia.

Para que serve a psicologia?

A psicologia interessa-se por perceber como é que os seres humanos e outros organismos pensam, percebem, aprendem, percecionam, sentem, agem e interagem uns com os outros.

Para estudar os processos mentais e comportamentais, os psicólogos utilizam métodos científicos para observar, descrever, prever e explicar.

Neste sentido a psicologia contribui para uma maior compreensão acerca do ser humano (e dos animais também) particularmente das suas relações com os outros e com o meio.

Esta compreensão é obtida através de estudos científicos que, por sua vez, são aplicados para desenvolver teorias e terapias que permitirão ajudar o ser humano a ter uma melhor qualidade de vida e a interagir e a adaptar-se da melhor maneira possível à comunidade e ao meio onde vive.

O que faz um psicólogo?

Ao contrário do que muita gente pensa, o psicólogo não é só para tratar “malucos”. O psicólogo pode intervir junto de pessoas, comunidades e instituições governamentais.

O psicólogo pode seguir a área de investigação e trabalhar com estabelecimentos de investigação e de ensino, como é o caso das universidades.

Mas também pode enveredar pela prática e trabalhar em outros contextos, como por exemplo, hospitais clínicas, consultório privado, escolas, empresas, prisões, segurança social, etc.

Ao psicólogo é dado treino profissional e são-lhe ensinadas competências clínicas para que possa ajudar as pessoas a lidarem eficazmente com as adversidades quotidianas e com os problemas mentais e, como já referi acima, ele utiliza técnicas e terapias baseadas na evidência científica, considerando sempre que cada pessoa apresenta uma condição e experiência única de vida.

As pessoas podem recorrer ao psicólogo quando sentem que a sua vida está a ser afetada por emoções negativas que já se prolongam à muito tempo, como é o caso da depressão, da ansiedade, da irritação, do medo e da preocupação constante.

O psicólogo também pode ajudar a ultrapassar outros problemas tais como a baixa auto-estima, a insatisfação com a carreira, a fazer o luto de um familiar, pessoas que tenham alguma fobia, condições crónicas ou até mesmo ajudar uma organização a obter melhores resultados.

Em suma, o psicólogo pode ajudar o indivíduo a lidar com as adversidades da vida, a superar vícios, a quebrar barreiras originadas por problemas do passado e a desenvolver competências que lhe permita alcançar os seus objetivos de vida.

Os psicologos também são treinados para aplicarem e interpretarem testes e avaliações que podem servir para diagnosticar alguma doença ou simplesmente para conhecerem melhor a pessoa e recorrerem à estratégia de intervenção que mais se adequar a esse caso particular.

As estratégias de intervenção são muito variadas e podem passar pela terapia, pela prevenção junto de escolas ou da comunidade, pelo aconselhamento, pela reorganização de uma empresa, ou outras.

O psicólogo irá escolher a intervenção que melhor se adequar ao problema, ao contexto e às características e preferências dos clientes.

Mitos

“Se o psicólogo nunca passou pelo problema que o cliente apresenta então não poderá ajudá-lo”

Falso. Como já foi referido o psicólogo utiliza estratégias de intervenção que foram cientificamente comprovadas como sendo eficazes para tratar doenças mentais ou para ajudar o cliente a ultrapassar vivências pessoais traumáticas.

Além do mais é importante haver uma certa distância emocional entre o psicólogo e o problema do cliente para que a terapia possa funcionar da forma mais eficaz. Será muito desgastante emocionalmente se o psicólogo tentar ajudar o cliente a superar problemas que ele próprio ainda não superou.

“A medicação é a melhor forma de curar as doenças!”

Não, a medicação até pode ser necessária em alguns casos, como por exemplo, no caso de uma depressão grave ou de uma esquizofrenia e funcionar como um complemento da terapia.

Mas, para além de a medicação poder causar dependência, também não ajuda a resolver as questões que estão na raíz do problema. A terapia por sua vez, pode auxiliar o cliente a fazer o melhor uso possível das suas competências e assim lidar de forma eficaz com as adversidades e desafios que a vida apresenta.

“O psicólogo vai dizer ás pessoas como devem viver a sua vida”

Embora o psicólogo seja um especialista no funcionamento do comportamento e da mente humana, o psicólogo não vai dizer como é que as pessoas deverão viver a sua vida, em que crenças elas devem acreditar ou que carreira profissional devem seguir.

No meu ponto de vista, o trabalho do psicólogo é trazer ao de cima as forças e as competências que o cliente já possui, mas que por qualquer motivo ele não é capaz de as utilizar com eficácia ou que então desconhece que as tem. No entanto o trabalho que o psicólogo faz com o cliente é temporário, ou seja, o psicólogo não deverá permitir que o cliente fique dependente da sua pessoa ou da terapia, mas sim ajudar o cliente a tornar-se uma pessoa autónoma e cheia de recursos.

Gosto em particular desta definição dada por Jorge Bucay:

“Um neurótico não precisa de um terapeuta que o cure nem de um padre que o vele. Precisa apenas de um professor que lhe mostre em que ponto do caminho se perdeu”

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